Desde 1989, o Brasil realizou nove eleições diretas para escolher o presidente da República. O período foi marcado pela retomada da participação popular após a ditadura militar, pela consolidação do sistema de dois turnos, por reeleições, mudanças de orientação política e disputas que refletiram as transformações da sociedade brasileira. Nesse intervalo, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro foram eleitos para comandar o Palácio do Planalto. Os resultados oficiais podem ser consultados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
1989 — Fernando Collor vence Lula na primeira eleição direta após a ditadura

A eleição de 1989 marcou o retorno do voto direto para presidente depois de quase três décadas sem que a população escolhesse diretamente o chefe do Executivo federal. O pleito ocorreu em meio à redemocratização e teve uma disputa com diversos candidatos, entre eles Fernando Collor de Mello, do PRN, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Leonel Brizola, do PDT.
No primeiro turno, em 15 de novembro, Collor terminou na liderança, seguido por Lula. A disputa foi decidida em 17 de dezembro, quando Collor recebeu 35.089.998 votos, equivalentes a 53,03% dos votos válidos, contra 31.076.364 votos de Lula, que obteve 46,97%. A eleição inaugurou a aplicação da regra de dois turnos na escolha presidencial após a redemocratização.
1994 — Fernando Henrique Cardoso vence no primeiro turno

Em 1994, a disputa presidencial foi marcada pela implantação do Plano Real, lançado naquele ano para combater a inflação. O então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, transformou a estabilização econômica em um dos principais eixos de sua campanha.
FHC venceu no primeiro turno, realizado em 3 de outubro, com aproximadamente 54,3% dos votos válidos. Lula, candidato do PT, ficou em segundo lugar, com cerca de 27%. Foi a primeira eleição presidencial desde a redemocratização decidida sem necessidade de uma segunda votação.
1998 — FHC conquista a reeleição

Quatro anos depois, Fernando Henrique Cardoso voltou às urnas como presidente e candidato à reeleição. A disputa ocorreu sob os efeitos do Plano Real e em um cenário de debates sobre emprego, crescimento econômico e as consequências das crises financeiras internacionais.
Em 4 de outubro, FHC foi reeleito no primeiro turno, com 53,06% dos votos válidos. Lula ficou novamente na segunda colocação, com 31,71%. A vitória consolidou o PSDB no comando do governo federal e fez de FHC o primeiro presidente brasileiro a conquistar a reeleição consecutiva desde a aprovação da mudança constitucional que permitiu a candidatura a um segundo mandato.
2002 — Lula chega à Presidência após quatro disputas

Depois de concorrer à Presidência em 1989, 1994 e 1998, Lula venceu a eleição de 2002. A campanha foi marcada pela defesa de mudanças sociais e econômicas, enquanto o candidato do PSDB, José Serra, representava a continuidade do grupo político que estava no governo federal.
No primeiro turno, em 6 de outubro, Lula ficou na liderança, mas não alcançou a maioria absoluta dos votos válidos. No segundo turno, realizado em 27 de outubro, recebeu 52.793.364 votos, ou 61,27%, contra 33.370.739 votos de Serra, que obteve 38,73%. A vitória representou a chegada do PT à Presidência da República. A eleição também marcou a primeira disputa presidencial totalmente informatizada em todo o país.
2006 — Lula é reeleito após disputa com Geraldo Alckmin

Em 2006, Lula disputou a reeleição pelo PT contra Geraldo Alckmin, do PSDB. A campanha ocorreu em meio a debates sobre políticas sociais, crescimento econômico e denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo petista.
Após terminar o primeiro turno sem alcançar mais de 50% dos votos válidos, Lula enfrentou Alckmin na votação decisiva, em 29 de outubro. O presidente foi reeleito com 58.295.042 votos, equivalentes a 60,83%, enquanto o candidato tucano recebeu 37.543.178 votos, ou 39,17%. A diferença ampliou a votação de Lula em relação ao primeiro turno e garantiu mais quatro anos de governo ao petista.
2010 — Dilma Rousseff se torna a primeira mulher eleita presidente

A eleição de 2010 marcou a escolha da primeira mulher para a Presidência da República. Dilma Rousseff, do PT, foi apresentada como candidata apoiada por Lula, que encerrava seu segundo mandato e não podia concorrer novamente de forma consecutiva. O principal adversário de Dilma foi José Serra, do PSDB.
No primeiro turno, Dilma liderou a votação, mas a disputa foi para o segundo turno, realizado em 31 de outubro. Ela venceu com 55.752.529 votos, ou 56,05% dos votos válidos, contra 43.711.388 votos de Serra, que alcançou 43,95%. A vitória manteve o PT na Presidência e deu início ao primeiro mandato de Dilma, que tomou posse em janeiro de 2011.
2014 — Dilma vence Aécio Neves em uma disputa apertada

Candidata à reeleição, Dilma Rousseff enfrentou Aécio Neves, do PSDB, em uma das disputas mais equilibradas da história presidencial brasileira. O primeiro turno também teve Marina Silva, então filiada ao PSB, que assumiu a candidatura após a morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo durante a campanha.
Dilma e Aécio avançaram ao segundo turno, realizado em 26 de outubro. A presidente foi reeleita com 54.501.118 votos, equivalentes a 51,64% dos votos válidos. Aécio recebeu 51.041.155 votos, ou 48,36%. A diferença de pouco mais de 3,4 milhões de votos consolidou uma disputa marcada pela forte divisão entre os dois campos políticos. Em 2016, Dilma deixou a Presidência após a conclusão de um processo de impeachment no Congresso Nacional.
2018 — Jair Bolsonaro vence Fernando Haddad

A eleição de 2018 ocorreu após o impeachment de Dilma Rousseff e durante um período de forte desgaste dos partidos tradicionais e de intensa polarização política. Jair Bolsonaro, então no PSL, apresentou uma campanha centrada em pautas conservadoras, segurança pública e críticas ao sistema político. Fernando Haddad, do PT, disputou a eleição após Lula ser impedido de concorrer.
No segundo turno, em 28 de outubro, Bolsonaro recebeu 57.797.847 votos, ou 55,13% dos votos válidos, contra 47.040.906 votos de Haddad, que obteve 44,87%. A vitória encerrou quatro eleições presidenciais consecutivas vencidas pelo PT — duas com Lula e duas com Dilma — e levou Bolsonaro à Presidência para o mandato de 2019 a 2022.
2022 — Lula derrota Bolsonaro e volta à Presidência

Quatro anos depois, Lula e Jair Bolsonaro protagonizaram uma nova disputa presidencial. O pleito ocorreu em meio a fortes divergências políticas, debates sobre a condução do país durante a pandemia de Covid-19, economia, programas sociais e confiança nas instituições democráticas.
No primeiro turno, realizado em 2 de outubro, Lula ficou à frente de Bolsonaro, mas nenhum dos dois alcançou a maioria absoluta dos votos válidos. No segundo turno, em 30 de outubro, Lula venceu com 60.345.999 votos, equivalentes a 50,90%, enquanto Bolsonaro recebeu 58.206.354 votos, ou 49,10%. A diferença de 2.139.645 votos fez de Lula o primeiro presidente eleito para um terceiro mandato não consecutivo. O resultado também estabeleceu a disputa de segundo turno mais apertada da série entre 1989 e 2022.
2026 — Flávio Bolsonaro e Lula avançam para o segundo turno

A eleição presidencial de 2026 voltou a colocar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a família Bolsonaro no centro da disputa pelo Palácio do Planalto. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou na liderança, com 56.104.503 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula ficou em segundo lugar, com 53.879.538 votos (45,16%). Como nenhum dos candidatos ultrapassou a metade dos votos válidos, os dois avançaram para o segundo turno, que acontece neste domingo (25). Na sequência, o escritor Augusto Cury (Avante) obteve 2,89%, Renan Santos (Missão), 2,24%, e Ronaldo Caiado (PSD), 2,18%, segundo dados da totalização divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O que mudou nas eleições presidenciais desde 1989?
As nove eleições diretas realizadas entre 1989 e 2022 mostram a transformação do cenário político brasileiro ao longo de mais de três décadas. O período começou com a retomada do voto popular após a ditadura militar, passou pela estabilização econômica associada ao Plano Real, pela chegada do PT ao governo federal, pela eleição da primeira mulher presidente, pelo impeachment de Dilma Rousseff e pela ascensão de Bolsonaro.
Duas eleições foram decididas no primeiro turno: as de 1994 e 1998, ambas vencidas por Fernando Henrique Cardoso. Nas demais, a disputa avançou para o segundo turno. Lula foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e voltou ao cargo em 2022; FHC venceu em 1994 e 1998; Collor, Dilma e Bolsonaro tiveram uma vitória cada nesse recorte histórico. Os resultados demonstram a alternância de grupos políticos no poder e a importância do voto popular na escolha do presidente da República.




