O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos–PB), abriu um novo flanco de conflito ao romper com o líder do Partido Liberal (PL), Sóstenes Cavalcante (PL–RJ), em meio às negociações do PL Antifacção. O afastamento, revelado pela colunista Mônica Bergamo, ocorreu de forma seca: às 2h da madrugada, Motta enviou ao bolsonarista uma mensagem de WhatsApp dizendo: “Não conte mais comigo para nada.”
Sóstenes optou por não escalar a crise e, à Folha de S.Paulo, afirmou que, “em nome da amizade dos dois”, não comentaria o episódio.
O atrito foi provocado pela disputa em torno do trecho do PL Antifacção que equiparava facções criminosas a grupos terroristas. Motta pediu ao relator, Guilherme Derrite (Progressistas), que retirasse o dispositivo, e foi atendido. A partir daí, Sóstenes cobrou uma contrapartida política, que o paraibano se recusou a assumir. O impasse terminou com o rompimento.
A crise com o PL se soma ao desgaste recente com o PT, intensificado após declarações públicas de Lindbergh Farias (PT–RJ). Na segunda-feira (24), Motta confirmou à Folha que não mantém mais alinhamento com o líder petista, escancarando um conflito que vinha sendo alimentado nos bastidores e que já atingia a articulação do governo Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara.
Agora, com confrontos simultâneos com dois dos maiores blocos ideológicos da Casa, Hugo Motta se vê no centro de um ambiente político ainda mais instável. A tensão reforça a percepção de que governo e oposição observam cada movimento do presidente da Câmara com crescente desconfiança, num momento em que a pauta legislativa exige articulação fina e capacidade de mediação.
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