A eleição de 2026 começa a ganhar, neste domingo (16), o ritmo que o eleitor conhece. Depois de meses de articulações, alianças, convenções e disputas de bastidores, candidatos na Paraíba passam a poder pedir oficialmente o voto e levar a campanha para as ruas e para a internet.

Caminhadas, adesivaços, carreatas, reuniões e comícios devem ocupar a agenda dos candidatos. É quando a política deixa o ambiente das negociações e começa a bater na porta do eleitor. Na Paraíba, a disputa pelo Governo e pelo Senado Federal entra, portanto, em uma fase mais aberta, mais visível e também mais fiscalizada.

A campanha eleitoral poderá ser feita nas ruas e nas redes sociais. Lives, conteúdos digitais e impulsionamento dentro das regras estão permitidos. Também podem ocorrer caminhadas, carreatas e distribuição de material gráfico, respeitando os limites estabelecidos pela legislação.

O que pode e o que não pode

Os candidatos poderão realizar comícios entre 8h e meia-noite, com possibilidade de extensão por mais duas horas no encerramento da campanha. Alto-falantes e amplificadores têm regras próprias de horário, enquanto carros de som e mini trios podem acompanhar caminhadas, carreatas e passeatas dentro das condições previstas.

Mas a campanha não é uma terra sem lei. Outdoor é proibido, assim como propaganda em árvores, jardins, muros, cercas e tapumes. Também são proibidos telemarketing, disparos em massa de mensagens sem consentimento e o uso de propaganda que caracterize assédio eleitoral no ambiente de trabalho.

O eleitor também precisa ficar atento. Pode manifestar individualmente sua preferência, mas não pode receber dinheiro para exibir propaganda. E, no ambiente digital, crítica política não se confunde com autorização para espalhar conteúdo falso, manipulado ou ofensivo.

A tecnologia entra no radar

A eleição deste ano terá ainda um componente que promete exigir atenção redobrada: a inteligência artificial. Conteúdos produzidos ou alterados por tecnologia terão de seguir regras específicas, principalmente para evitar manipulações capazes de enganar o eleitor.

O problema não está apenas na tecnologia, mas no uso político dela. Um vídeo falso, uma voz clonada ou uma imagem manipulada podem circular em poucos minutos e alcançar milhares de pessoas antes mesmo de uma resposta.

Por isso, a fiscalização da campanha não ficará restrita às ruas. A internet será um dos principais territórios de disputa e também de vigilância.

TRE-PB reforça fiscalização

Na Paraíba, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB) prepara uma estrutura especial para acompanhar a campanha. O presidente da Corte, desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, explicou que o modelo de fiscalização terá atuação reforçada durante o período eleitoral. “A eleição é centralizada este ano. Não é eleição para prefeito nem vereador. Então, o núcleo realmente de controle está muito mais no TRE”, destacou.

Segundo o desembargador, os gabinetes dos magistrados eleitorais estarão de plantão para atender situações urgentes. “A partir de amanhã, todos os desembargadores estarão de plantão até as eleições, com seus assessores, para qualquer urgência”, ressaltou ao programa Correio Debate, da rádio Correio 98 FM.

A ideia é dar velocidade à análise de possíveis irregularidades, principalmente em uma eleição que promete movimentar intensamente as ruas e as redes.

Eleitor também será fiscal

O cidadão terá papel importante nesse processo. Ao identificar uma possível irregularidade, poderá registrar fotos, vídeos e outros elementos e encaminhá-los aos órgãos competentes.

Márcio Murilo reforçou a orientação: “Pode documentar. E manda para o Ministério Público local da sua cidade ou, se houver interesse, ao próprio procurador regional eleitoral”, pontuou.

Entre os instrumentos disponíveis está o aplicativo Pardal, utilizado para receber denúncias relacionadas à propaganda eleitoral. Já conteúdos considerados desinformativos podem ser encaminhados pelos canais específicos da Justiça Eleitoral.

O desembargador, porém, faz uma ponderação: denunciar é um direito, mas a denúncia precisa ter fundamento. “Se o adversário político quer um resultado prático numa denúncia, ele deve denunciar aquilo que vê fundamento, com substrato para o seu trabalho”, destacou.

E garante que o tribunal está preparado para o aumento das demandas: “Não se preocupa com denuncismo, com excesso de trabalho. A gente está aqui para trabalhar”, explicou.

A campanha começa para valer

O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão ainda vai esperar: começa em 28 de agosto. Até lá, candidatos terão nas ruas e na internet os principais espaços para apresentar propostas e conquistar o eleitor.

A partir deste domingo, portanto, a Paraíba entra oficialmente no clima de campanha. Os candidatos vão pedir voto, os eleitores vão escolher em quem confiar e a Justiça Eleitoral estará de olho no caminho percorrido por cada candidatura.

É a festa da democracia começando. Mas, em 2026, a disputa pelo voto virá acompanhada de outra corrida: a de candidatos, partidos, eleitores e Justiça Eleitoral para garantir que a campanha seja feita dentro das regras.

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