Vereadora de João Pessoa, Eliza Virgínia (PP) e a deputada federal Erika Hilton (PSOL–SP) - Foto: Reprodução.

A vereadora de João Pessoa Eliza Virgínia (Progressistas) negou nesta sexta-feira (13) ter cometido crime de transfobia ao comentar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOLSP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

A parlamentar afirmou que suas declarações estão protegidas pela imunidade parlamentar e disse representar mulheres que não concordam com a condução da comissão pela deputada. “Primeiro, não cometi nenhuma transfobia. Apenas disse o que muitas mulheres no Brasil sentem: estamos nos sentindo invadidas em nossos espaços. A deputada Erika Hilton, embora seja uma mulher trans, ocupa lugares destinados às mulheres, como a comissão de direitos das mulheres, que envolve experiências femininas únicas, como menstruação, gravidez e assédio. Isso fere o orgulho de muitas mulheres. Não ataquei ninguém; apenas falei a verdade”, declarou.

Eliza ainda disse que essa situação demonstra uma falta de respeito pelos direitos das mulheres e pelos espaços conquistados com muita luta. “Estou decepcionada. Como colocar alguém que não vivenciou experiências femininas, menstruação, gravidez, licença maternidade, violência doméstica, para presidir a Comissão de Direitos das Mulheres? Essa pessoa ainda adota discurso agressivo e misógino, equiparando travestis às mulheres. Já perdemos espaços importantes, como pódios, banheiros e prisões femininas, e agora até o direito de ser chamadas apenas de mulheres. É absurdo alguém que não respeita as mulheres comandar essa comissão”, rebateu durante entrevista ao programa Arapuan Verdade, da Rádio Arapuan FM.

A reação da vereadora ocorre após o PSOL na Paraíba apresentar uma notícia-crime à Justiça Federal contra a parlamentar. O partido solicita que o caso seja encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para investigar possíveis declarações discriminatórias.

A iniciativa foi motivada por um discurso feito por Eliza na tribuna da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) na quinta-feira (12), quando criticou a escolha de Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Durante a fala, a vereadora afirmou que a indicação da deputada, que é uma mulher trans, representaria um “erro” na condução do colegiado.

A eleição de Erika Hilton para a presidência da comissão ocorreu na última quarta-feira (11). A deputada recebeu 11 votos favoráveis, enquanto dez parlamentares votaram em branco, tornando-se a primeira mulher trans a comandar o colegiado.

Ao assumir o cargo, Hilton afirmou que pretende conduzir os trabalhos da comissão com diálogo e destacou que sua eleição representa o avanço da democracia e da representatividade.

Histórico de controvérsias

A vereadora Eliza Virgínia já esteve envolvida em outras polêmicas relacionadas a declarações sobre a população LGBTQIA+. Em outubro do ano passado, a Justiça determinou a retirada de publicações feitas por ela nas redes sociais consideradas ofensivas.

Na ocasião, a parlamentar protestou na tribuna da Câmara Municipal com a boca vendada, alegando censura. Além disso, tramita na Justiça Federal uma ação movida pelo Ministério Público Federal que apura suposta incitação ao ódio e discriminação em publicações nas redes sociais.

Com a nova representação apresentada pelo PSOL, o caso deverá ser analisado pelas autoridades responsáveis pela investigação.

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