Vereadora de João Pessoa, Jailma Carvalho (PSB), na tribuna da Câmara Municipal - Foto: Olenildo Nascimento.

A vereadora de João Pessoa, Jailma Carvalho (PSB), rebateu nesta quinta-feira (12) as declarações da colega Eliza Virgínia (PP) sobre a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOLSP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

Em pronunciamento na tribuna durante sessão da Câmara Municipal, a parlamentar explicou os motivos de votar contra o requerimento apresentado pela vereadora Eliza, que propõe um voto de repúdio. “Quero iniciar minha fala registrando o meu voto contrário ao requerimento da vereadora Eliza, que propõe um voto de repúdio. Estamos no mês de março, um período dedicado às mulheres, e eu, enquanto presidente da Comissão de Políticas Públicas, não me sinto confortável com esse tipo de posicionamento”, argumentou.

Jailma ainda repudiou a disseminação de ódio e ressaltou a importância do respeito e da responsabilidade no debate público. “Acredito que atitudes como essa acabam ampliando e disseminando o ódio, especialmente contra uma população que já é tão criminalizada e que sofre diversos tipos de violações. Por isso, registro aqui o meu voto contrário. Quero dizer que, mesmo quando não temos conhecimento ou quando não concordamos com determinadas questões, para viver em sociedade precisamos aprender a respeitar a diversidade”, disse a vereadora.

O posicionamento da parlamentar ocorre após Eliza Virgínia criticar a eleição de Erika Hilton, questionando a presença de uma mulher trans à frente da comissão e afirmando: “É um homem que acabou de assumir a presidência da Comissão da Defesa das Mulheres. Se ela pode me chamar de pessoa que gesta, pessoa que menstrua, então eu posso chamar ela de quê? De pessoa que tem o quê? Um pênis ou de pessoa que ejacula?”, disparou.

Eliza também comparou a escolha de Erika Hilton à nomeação de “a mesma mesma coisa de colocar um analfabeto para presidir a comissão de educação” e afirmou que a deputada teria histórico de misoginia. Erika Hilton foi eleita com 11 votos a favor e 10 votos em branco, tornando-se a primeira mulher trans a presidir o colegiado.

O episódio reacendeu o debate sobre representatividade de pessoas trans em cargos de liderança e sobre a condução de comissões voltadas à defesa dos direitos da mulher, gerando repercussão política em todo o país.

Vereadora Eliza Virgínia questiona eleição de Erika Hilton à frente da Comissão de Defesa da Mulher

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