O fim da escala 6×1 pode provocar mudanças na organização do mercado de trabalho e abrir espaço para novas contratações, especialmente nos setores de comércio e serviços. A avaliação é do economista Alexandre Cunha Leite, que analisou os efeitos da PEC aprovada pelo Senado durante entrevista ao programa Senso Crítico, da FGTV e MRTV. Para o especialista, a necessidade de manter as atividades durante os períodos de descanso dos funcionários pode levar empresas a ampliar suas equipes.
“Um dos possíveis efeitos positivos da PEC é justamente estimular a geração de empregos”, afirmou Alexandre, durante conversa com o jornalista Klauber Beserra. Segundo ele, a redução dos dias trabalhados pode exigir a substituição de profissionais durante as folgas ou a contratação de novos funcionários para garantir a continuidade dos serviços. O economista ponderou, porém, que os efeitos dependerão da maneira como cada empresa organizará suas escalas.
Alexandre também chamou atenção para a informalidade no Brasil e criticou a visão que trata esse modelo de trabalho como uma alternativa necessariamente vantajosa. “A informalidade no Brasil é um problema sério. Precisamos parar de romantizá-la”, declarou. Na avaliação dele, a falta de formalização também tem consequências para o financiamento dos serviços públicos, já que parte dessas atividades não gera a mesma contribuição tributária associada aos vínculos formais.
O economista questionou ainda a ideia de que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) representa apenas um obstáculo para as empresas. “Existe uma tendência de demonização da CLT e do emprego formal, mas muitas pessoas ainda não compreenderam plenamente as consequências dessa visão nem os benefícios que a formalização oferece”, afirmou. Para ele, a ampliação do emprego formal deve ser considerada no debate sobre os impactos da nova jornada, ao lado dos custos de adaptação enfrentados pelos empregadores.
A PEC foi aprovada pelo Senado Federal na última quarta-feira (14), em dois turnos, com 75 votos favoráveis e um contrário, e prevê dois dias de descanso semanal sem redução salarial, além de uma transição para adequação da jornada, com o objetivo de chegar a 40 horas semanais. O texto ainda precisa ser promulgado para entrar em vigor. Alexandre avalia que a mudança pode favorecer a geração de empregos, mas ressalta que esse resultado dependerá da implementação da medida e das condições econômicas de cada setor.
Assista a entrevista de Alexandre ao programa Senso Crítico da FGTV:
Klauber Beserra destaca fim da escala 6×1 e dispara: “É um avanço para a classe trabalhadora”




