Alexandre Cunha Leite, economista Mestre em Economia Política e Doutor em em Ciências Sociais.

O economista Alexandre Cunha Leite avaliou positivamente a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e garante dois dias de descanso semanal sem redução salarial. Durante entrevista ao programa Senso Crítico, da FGTV e MRTV, nesta quinta-feira (15), ele destacou os possíveis ganhos para a saúde e a produtividade dos trabalhadores, mas alertou para o risco de futuras mudanças legislativas comprometerem direitos já conquistados.

A proposta foi aprovada pelo Senado Federal na quarta-feira (14), em dois turnos de votação, com 75 votos favoráveis e um contrário. O texto prevê uma transição para adequar a jornada de trabalho, com o objetivo de estabelecer o limite de 40 horas semanais e dois dias de descanso. A PEC ainda precisa ser promulgada para entrar em vigor.

Na entrevista conduzida pelo jornalista Klauber Beserra, Alexandre ressaltou que a ampliação do período de repouso pode contribuir para melhorar o desempenho profissional e reduzir os efeitos do desgaste físico e mental. “Minha leitura, especificamente em relação ao mercado de trabalho, é positiva. Aprovar a escala 5×2 significa garantir um dia a mais de repouso para os trabalhadores”, afirmou.

O economista também avaliou que a economia brasileira tem condições de absorver a mudança de forma gradual, sem que isso represente, necessariamente, o fechamento de empresas. Ele destacou a importância de um período de adaptação, principalmente para pequenos e médios negócios, e defendeu que o debate considere os possíveis ganhos de produtividade e a redução dos problemas de saúde associados ao excesso de trabalho.

Apesar da avaliação favorável, Alexandre demonstrou preocupação com propostas que possam atrelar a remuneração exclusivamente às horas trabalhadas. Na visão dele, esse modelo pode fragilizar garantias como o décimo terceiro salário, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o aviso-prévio. “Dependendo do resultado das eleições, a conquista obtida ontem poderá sofrer um retrocesso significativo”, declarou.

Ao discutir os caminhos para a organização do mercado de trabalho, o especialista defendeu que o Brasil considere suas próprias características econômicas e sociais, em vez de reproduzir modelos de países com estruturas diferentes. Como referências de proteção social, citou Alemanha e França. Para Alexandre, a implementação da nova jornada deve conciliar a ampliação dos direitos dos trabalhadores com o planejamento necessário para a adaptação do setor produtivo.

Assista a entrevista de Alexandre ao programa Senso Crítico da FGTV:

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