Foto: Patrícia Cantisani e Samuel Fonseca

A nova moradora do Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), já está disponível para visitação do público. Trata-se de uma fêmea de lobo-guará, espécie símbolo do Cerrado brasileiro e considerada quase ameaçada de extinção.

O animal, apelidado de Mila, chegou ao parque no dia 25 de fevereiro, após uma articulação entre equipes técnicas da Bica e do Centro de Triagem de Animais Silvestres. Todo o processo seguiu protocolos rigorosos para garantir a segurança durante o transporte e a adaptação ao novo ambiente.

Antes de ser liberada para o público, a loba passou por um período de quarentena e adaptação. O recinto foi especialmente preparado, com áreas que simulam características do habitat natural da espécie, incluindo espaços abertos e vegetação mais densa, além de estratégias de enriquecimento ambiental.

De acordo com a diretora do parque, Milenna Simões, a chegada do animal reforça o papel da instituição na preservação da fauna brasileira. “A chegada da fêmea de lobo-guará reforça o compromisso da Bica com o acolhimento de animais que não podem retornar à natureza. Aqui ela terá cuidados técnicos e acompanhamento veterinário. Sua presença também fortalece nosso papel na educação ambiental e na conscientização sobre a conservação da fauna”, destacou.

A história da loba é marcada pela superação. Segundo técnicos do Cetas de Goiânia, Mila foi resgatada com traumatismo craniano e pneumotórax. Exames identificaram ainda a presença de um projétil alojado no pulmão, indício de violência contra o animal.

A médica veterinária Jéssica Rocha, da ONG Floresta Cheia, explicou que o animal chegou ao centro bastante debilitado.  “Ela foi acolhida há cerca de seis meses, em estado grave. Passou por estabilização, tratamento e depois por cirurgia. Hoje está bem, ativa, com comportamento típico de um animal de vida livre. Mas, por conta da idade e do histórico, precisa de cuidados contínuos”, relatou.

Com idade estimada entre 7 e 9 anos, considerada avançada para animais em vida selvagem, Mila não pode mais ser reintroduzida à natureza. Por isso, foi encaminhada para um ambiente controlado, onde receberá acompanhamento permanente.

O chefe da Divisão do Zoológico da Bica, Thiago Nery, explicou que o espaço destinado ao animal passou por adaptações específicas. “Transformamos antigos recintos em uma área única, com características que lembram o Cerrado. É um animal solitário, que exige monitoramento constante, tanto na alimentação quanto no comportamento. Além disso, é uma espécie de grande importância ambiental e que não é comum no nosso estado”, afirmou.

A parceria entre o Cetas de Goiânia e a Bica também foi destacada como fundamental para garantir um destino adequado a animais que não podem retornar à natureza. “Aqui eles têm um local melhor para viver. O Cetas é um espaço de passagem, não definitivo. Com essa parceria, temos a segurança de que os animais estão bem cuidados”, acrescentou Jéssica Rocha.

Além de acolher o animal, a iniciativa busca aproximar o público da realidade da conservação ambiental, permitindo que visitantes conheçam de perto uma espécie ameaçada e compreendam os desafios enfrentados pela fauna brasileira, especialmente diante da perda de habitat e da ação humana.

O parque funciona diariamente das 9h às 16h, com ingresso acessível, e segue como um dos principais espaços de educação ambiental e lazer da capital paraibana.

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