Elevador de prédio cai e deixa feridos no bairro do Altiplano, em João Pessoa - Foto: Redes Sociais.

A queda de um elevador no condomínio Reserva Altiplano, no bairro Altiplano Cabo Branco, em João Pessoa, reacendeu denúncias antigas de moradores sobre falhas recorrentes nos equipamentos do residencial. O acidente aconteceu no fim da tarde desta quarta-feira (13) e deixou feridos uma mulher de 36 anos e duas crianças, de 3 e 5 anos, que estavam dentro da cabine no momento da queda.

Em entrevista à jornalista Jaceline Marques, a moradora do prédio, Cecília afirmou que os problemas nos elevadores são antigos e que os equipamentos já haviam sido alvo de laudos técnicos e ações judiciais envolvendo o condomínio e a construtora responsável pelo empreendimento.

“O que acontece é que os elevadores já estão condenados. Foi feita uma vistoria no prédio e aí os elevadores foram condenados. Já há uma ação judicial do condomínio em relação à construtora. Já foi pedido para trocar todos os elevadores e a construtora nunca trocou”, denunciou.

Abalada com o acidente, a moradora questionou a demora por providências definitivas. “Então eles estão esperando o quê? Alguém morrer? Pra tomar alguma providência?”, afirmou.

Segundo ela, os problemas existem desde a entrega do condomínio, em 2023. A moradora relatou que os equipamentos apresentavam estalos, travamentos e falhas constantes, gerando insegurança entre os condôminos. “Desde quando foi entregue, os elevadores sempre tiveram problema. Sempre foram omissos. A construtora nunca procurou nenhum morador, até onde eu sei. Fica um jogo de empurra-empurra. Uma hora a culpa é da construtora, outra hora a culpa é do condomínio”, disse.

Ela também relatou o clima de medo entre os moradores, principalmente entre famílias com crianças, idosos e pessoas com deficiência. “A gente entra no elevador já aflita. Tem muitos idosos e pessoas com deficiência que dependem dessa acessibilidade. Só que hoje essa acessibilidade está colocando as pessoas em risco”, afirmou.

A mulher destacou ainda a preocupação após o acidente envolvendo a moradora e as crianças. “A gente fica aflita porque não tem como não passar pela cabeça que poderia ser comigo, poderia ser com a minha família. Graças a Deus as crianças não tiveram danos graves, mas a mãe está com suspeita de trauma medular”, relatou.

De acordo com documentos obtidos na Justiça apontam que o condomínio já havia acionado a 7ª Vara Cível da Capital contra a construtora GGP por supostos vícios estruturais nos elevadores. Um laudo técnico elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 indicou uma série de irregularidades no Bloco B, justamente onde ocorreu o acidente. Entre os problemas apontados estão ausência de iluminação de emergência, falhas elétricas, deficiência em dispositivos de resgate, ausência de ventilação adequada e irregularidades na casa de máquinas.

O documento também concluiu que a máquina de tração do elevador “não atende à capacidade de peso da estrutura e às normas de segurança”, recomendando a substituição completa do equipamento. Ainda segundo os autos do processo, moradores já haviam registrado episódios anteriores de travamentos, quedas abruptas e até princípio de incêndio em um dos elevadores. Em janeiro de 2025, a Justiça chegou a determinar a substituição integral dos elevadores do condomínio. A construtora, no entanto, recorreu da decisão, e o processo segue em tramitação.

Resgate e posicionamentos

Após a queda, moradores conseguiram abrir a porta da cabine e iniciaram o resgate das vítimas antes da chegada do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). As crianças tiveram ferimentos leves. Já a mulher apresentava dores pelo corpo e suspeita de lesão na coluna.

Em nota, a administração do condomínio informou que prestou assistência imediata às vítimas e reforçou que já vinha alertando judicialmente sobre os problemas nos elevadores. O condomínio afirmou ainda que buscará a responsabilização civil e criminal pelos supostos defeitos estruturais.

Já a construtora declarou que a manutenção dos equipamentos é de responsabilidade do condomínio após a entrega do empreendimento e informou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

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