A especialista em trânsito Abimadabe Vieira alertou para o aumento da intolerância e dos conflitos nas ruas da Paraíba diante do crescimento da frota de veículos e da rotina cada vez mais acelerada da população. Em entrevista nesta segunda-feira (18), ela afirmou que o comportamento emocional dos condutores tem agravado situações de risco no trânsito.
“O que nós temos visto é um trânsito cada vez mais acelerado emocionalmente. As pessoas estão cansadas, estressadas e intolerantes, e isso acaba refletindo nas ruas”, afirmou.
Segundo a especialista, falta empatia entre os condutores, principalmente na convivência entre motoristas e motociclistas. “Muitas vezes, o motorista enxerga apenas uma moto, um carro ou um caminhão. Ele esquece que ali existe uma pessoa, alguém que quer chegar em casa ou ao trabalho em segurança. O trânsito é um espaço compartilhado”, destacou ao programa CBN João Pessoa, da rádio CBN Paraíba.
Durante a entrevista, Abimadabe Vieira explicou que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não proíbe a circulação de motocicletas pelos corredores entre veículos, desde que haja responsabilidade e segurança. “O Código de Trânsito Brasileiro não proíbe o uso dos corredores pelas motos, mas determina que isso seja feito com velocidade compatível e segurança. O trânsito exige respeito e compartilhamento responsável”, disse.
Ela também relacionou o aumento do número de motocicletas nas ruas às mudanças de comportamento registradas após a pandemia, especialmente com a expansão dos serviços de entrega. “As pessoas passaram a querer tudo em casa: alimentação, medicamentos, compras. Além disso, cada família passou a ter mais veículos, principalmente motos”, observou.
A especialista ainda defendeu o reforço da fiscalização presencial para reduzir imprudências e aumentar a sensação de segurança no trânsito. “Os agentes de trânsito fazem diferença. A presença física da fiscalização impõe mais segurança e ajuda a coibir imprudências. Hoje existem radares e câmeras, mas ainda é preciso investir mais no fator humano”, afirmou.
Ao comentar sobre campanhas educativas, Abimadabe destacou que ações de conscientização continuam sendo necessárias, mas precisam atingir o lado emocional dos condutores. “As campanhas funcionam, mas precisam tocar as pessoas emocionalmente. Não basta falar apenas de multa e punição. É necessário trabalhar consciência, empatia e cultura de paz”, ressaltou.
Ela reforçou ainda que o trânsito deve ser entendido como um espaço coletivo. “No trânsito existe uma falsa ideia de superioridade. Muitos motoristas acreditam que a moto atrapalha, mas esse espaço pertence a todos. É preciso proteger, respeitar e enxergar o outro”, concluiu.
A discussão ocorre dentro da programação do Maio Amarelo, movimento internacional de conscientização voltado à redução de acidentes e mortes no trânsito. Neste ano, a campanha traz o tema: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”.
Na Paraíba, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PB) realiza durante todo o mês palestras, ações educativas, fiscalizações e eventos de conscientização em diferentes municípios do estado.



