Durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, nessa semana, na 100.5 FM Líder, o padre e psicólogo Fabiano Moura de Moura emocionou ao contar os bastidores da decisão que mudou completamente sua trajetória, onde deixou a magistratura após quase duas décadas para seguir a vida religiosa.
Ex-juiz de Direito, ele revelou que, ainda jovem, já acumulava poder, estabilidade e conforto material, mas algo essencial faltava. A virada começou a partir de um episódio simples, porém marcante, durante uma viagem pelo interior.
“Eu tinha fama, poder, dinheiro… mas não tinha o que ela tinha”, disse, ao lembrar de uma senhora humilde que vendia milho à beira da estrada. “Ela não tinha nada disso, mas tinha um sorriso, uma paz, uma felicidade que eu não tinha.”
Segundo ele, aquele encontro despertou uma inquietação profunda que se transformou, com o tempo, em um chamado espiritual. “A resposta veio quando eu entendi o ‘Deus te acompanha’. Era isso que faltava em mim.”
Mesmo após ser aprovado com nota máxima e atuar por 19 anos como juiz, Fabiano Moura afirma que o chamado nunca deixou de existir. Ao longo da carreira, buscou atuar em áreas sociais, como infância e juventude, além de participar de projetos de recuperação de dependentes químicos.
Com o passar dos anos, a vocação religiosa falou mais alto. “Chega um momento em que você sente algo diferente, um chamado vocacional mesmo”, explicou. A decisão o levou a fundar comunidades religiosas e aprofundar sua atuação também na área da saúde mental, unindo fé e psicologia.
Ele destacou ainda que passou a desenvolver um método próprio de acolhimento, baseado na escuta e na espiritualidade. “Comecei a entender que precisava levar uma palavra: cura. Cura espiritual e também mental.”
Conselho para quem está infeliz no trabalho
Questionado pelos apresentadores sobre o que dizer a pessoas insatisfeitas com a própria profissão, o padre foi direto: é preciso discernimento, coragem e autoconhecimento. “Um dos grandes adoecimentos hoje chama-se normose, que é fazer normal aquilo que adoece”, alertou.
Segundo ele, muitas pessoas vivem no automático, presas a rotinas que geram sofrimento. “A gente acorda na hora que não quer, vive uma vida que não quer, e vai adoecendo.”
Como orientação, ele defende que é fundamental refletir antes de tomar qualquer decisão. “É preciso entender se isso é só uma fase ou um chamado para mudança. A felicidade está em ser coerente com a própria vocação.”
Fabiano também destacou que mudanças profundas não acontecem de forma impulsiva. “Não é acordar num dia e mudar tudo. É um processo de muita reflexão, oração e consciência.”
Por fim, reforçou que seguir o chamado interior pode parecer difícil no início, mas traz sentido à vida. “Mesmo que a conta não bata agora, lá na frente você entende o que Deus estava preparando.”
A entrevista completa pode ser conferida no vídeo do programa Ô Paraíba Boa:
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