A manifestação política de um estabelecimento comercial pode ultrapassar as redes sociais e gerar consequências nas relações de consumo. O alerta foi feito pela advogada trabalhista Thaís Delfino, nesta quarta-feira (28), durante o programa Senso Crítico, da FGTV e MRTV, apresentado pelo jornalista Klauber Beserra, ao comentar a polêmica envolvendo uma pizzaria de João Pessoa.
“Pode ser caracterizada, dependendo de como isso está sendo abordado, pode sim. E isso já mexe também numa relação de comércio, numa relação de consumidor”, explicou a advogada. Segundo ela, situações de constrangimento ou retaliação contra clientes podem justificar o acionamento dos mecanismos de defesa do consumidor, a depender das circunstâncias.
Thaís também chamou atenção para os possíveis reflexos das declarações públicas na imagem dos negócios. “As empresas precisam entender que a opinião delas reflete também a própria empresa. Então, você pode acabar prejudicando seu negócio como um todo”, afirmou, ao destacar que manifestações feitas no calor da emoção podem trazer consequências comerciais duradouras.
Questionada sobre a responsabilidade de quem ocupa posições de liderança ou administra um estabelecimento, a advogada diferenciou posicionamento político de disputas partidárias. “Opinião política é livre. Todas as pessoas podem ter”, disse. Em seguida, acrescentou: “Agora, politicagem, ela pode trazer grandes prejuízos, tanto para a pessoa individualmente como para a sociedade num todo. Vira uma briga que termina que ninguém ganha, todo mundo perde”.
A discussão ocorre após uma pizzaria localizada no bairro de Jardim Oceania, em João Pessoa, publicar, na terça-feira (27), uma mensagem pedindo que pessoas de esquerda e eleitores que classificou como “eleitores de larápios” deixassem de comprar no estabelecimento. O conteúdo foi apagado horas depois. Em nova publicação, a empresa alegou ter sido notificada pelo Ministério Público, mas o órgão não confirmou a notificação. A pizzaria também divulgou ofertas de rodízio por R$ 22 para os dias 4 e 25 de outubro, datas dos turnos das eleições, sem que as publicações, isoladamente, comprovem finalidade de propaganda política.




