Meus amigos, habemus presidente!

A novela da presidência da Câmara Municipal de João Pessoa está perto de chegar ao fim. E o desfecho passa por dois personagens que, até pouco tempo, estavam em campos diferentes: João Corujinha (PP) e Marmuthe Cavalcanti (Republicanos).

O fato novo dessa disputa é que o grupo de Marmuthe desembarcou na articulação de Corujinha. E não chegou de mãos vazias. Com essa adesão, o grupo passa a contabilizar 21 assinaturas, uma maioria absoluta que praticamente encaminha a disputa política.

O entendimento prevê João Corujinha na presidência e Marmuthe Cavalcanti na vice-presidência, garantindo ao Republicanos uma posição de destaque na futura Mesa Diretora.

Mas tem um detalhe ainda mais importante: a eleição poderá ser antecipada.

Um requerimento deve ser apresentado nas próximas horas, abrindo caminho para que a escolha aconteça nos próximos dias, possivelmente ainda nesta semana ou, no mais tardar, na próxima, desde que sejam cumpridas as exigências regimentais.

Com isso, o movimento de Damásio Franca (PP) está praticamente sepultado. 

E por trás desse movimento existe um personagem fundamental: o prefeito Léo Bezerra.

Léo tem interesse em encerrar essa disputa. E por uma razão muito simples: nenhum prefeito consegue construir uma gestão politicamente estável enquanto sua base trava uma guerra pelo comando do Legislativo.

A antecipação interessa ao prefeito porque permite reorganizar a relação com os vereadores, pacificar os aliados e começar a desenhar uma nova fase da administração municipal.

Agora, observem a habilidade dessa costura.

Corujinha preserva o projeto de chegar à presidência. Marmuthe recua da disputa principal, mas não sai derrotado. Ganha a vice-presidência e mantém o Republicanos dentro do núcleo de poder da Câmara.

E o Republicanos, que já vinha mostrando sua força nas articulações estaduais, demonstra que também sabe jogar no tabuleiro municipal.

Com 21 assinaturas, o acordo está politicamente encaminhado. Falta transformar essa maioria em votação.

E eu encerro com uma observação: se esse entendimento for confirmado nas urnas da Câmara, Léo Bezerra terá conseguido muito mais do que encerrar uma disputa entre vereadores.

Terá dado um passo importante para organizar a base política que vai sustentar sua gestão e influenciar o jogo eleitoral de 2028.

Porque, em política, a eleição termina quando os votos são contados. Mas o poder começa a ser exercido muito antes disso.