Durante o programa Ô Paraíba Boa, antecipei uma movimentação política que começava a ganhar força nos bastidores de João Pessoa. O Republicanos, comandado na Paraíba por Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos e pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, preparava sua entrada na disputa pela presidência da Câmara Municipal da capital.
Dois nomes estavam sendo trabalhados pelo partido: Marcílio do HBE e Marmuthe Cavalcanti. Não era especulação gratuita. Era informação de bastidor, dessas que a política costuma guardar até o momento mais conveniente.
Pois bem. O bastidor virou notícia, o off virou on, a primeira reunião com um dos interessados, Marmuthe Cavalcanti, aconteceu e o Republicanos entrou, sim, no jogo.
E aqui começa a parte mais interessante dessa história.
O próximo movimento de Nabor será uma conversa com o prefeito Léo Bezerra. Na pauta, as pretensões do Republicanos e uma palavra que costuma ter muito peso na política: reciprocidade.
Explico.
O Republicanos já declarou publicamente apoio à reeleição de Léo Bezerra em 2028. Do outro lado, Léo apoiou a candidatura de Nabor Wanderley ao Senado. Nabor não conseguiu se eleger, mas a aliança política, ao que tudo indica, sobreviveu ao resultado das urnas.
Agora, o Republicanos quer saber até onde vai esse compromisso.
E a resposta pode chegar muito antes de 2028.
O partido pretende apresentar ao prefeito sua disposição de disputar a presidência da Câmara e avaliar se encontrará nele o apoio necessário para construir uma nova maioria.
É justamente aí que o jogo pode mudar.
Até então, o vereador João Corujinha, do Progressistas, vinha trabalhando sua candidatura e reunindo apoios. Mas a entrada do Republicanos, sob a articulação direta de Nabor Wanderley, coloca uma nova força política na disputa.
Isso não significa que João Corujinha esteja derrotado. Muito menos que o Republicanos já tenha os votos necessários para eleger o próximo presidente.
Significa que a eleição está longe de ser uma questão resolvida. O jogo zerou.
Nos bastidores, a informação é de que poderá surgir, nos próximos dias, um novo bloco de vereadores, articulado pelo Republicanos em sintonia com o prefeito Léo Bezerra. Se essa construção avançar, o equilíbrio de forças dentro da Câmara poderá mudar.
Mas é preciso separar os fatos das expectativas. A reunião aconteceu. A articulação existe. A conversa com o prefeito é o próximo passo. Já a formação de uma nova maioria ainda depende de muita negociação.
E, como na política ninguém entrega o comando de uma Casa Legislativa de mãos beijadas, os próximos movimentos prometem ser decisivos.
Eu avisei.
E, pelo visto, a disputa pela presidência da Câmara de João Pessoa está apenas começando.
Quem viver, verá.




