O problema do Botafogo-PB nunca foi o gramado. São os títulos ou melhor, a falta deles. Que já estavam rareando antes dessa SAF chegar com toda a prepotência do mundo. E agora piorou de vez.

O time de tradição paraibana da estrela vermelha entra em campo já munido de um discurso preventivo, desses que servem para explicar o fracasso antes mesmo do apito inicial. Para tapear a torcida, que esquece a montagem de um bom time que foi prometido. A bola nem rolou e a coletiva já está pronta.

A estreia será longe de casa, fora do Estado, no Frasqueirão, em Natal, com a bênção da Federação Paraibana de Futebol, tudo por causa do vilão da vez: o gramado do Almeidão. Que o secretário de Esportes do Estado, Lindolfo Pires, prometeu que está em ordem para o jogo do Belo, empenhando sua palavra contra a dívida dos dirigentes da Saf. Vamos ver quem tem razão afinal.

Mas há um detalhe que sempre passa batido nesse enredo conveniente: o estádio não é do Botafogo. É do Estado. Ou seja, do povo paraibano. O clube paga um aluguel simbólico de apenas mil reais, que mal cobre a conta de luz , pelo que soube. Ainda assim, o gramado vira o bode expiatório perfeito — aquele personagem que prepara o torcedor para a decepção e livra o time de cobranças mais sérias.

Se perder, a desculpa já está na mesa. Se ganhar, vira epopeia, dessas narradas como se tivesse sido uma final continental, na base da “superação contra tudo e contra todos”.

O Botafogo-PB não tropeça por causa do campo. Senão o Santos de Pelé não tinha ganhado tudo jogando em verdadeiros chiqueiros em São Paulo e no Brasil. O Belo tropeça porque entra no campeonato sem se comportar como protagonista, preferindo a zona de conforto das explicações antecipadas para o fracasso.

Começar o estadual fugindo de casa não é estratégia. É sintoma. Mais uma vez, no Belo, a justificativa chega bem antes do almejado troféu.