Durante o programa Senso Crítico da FGTV, nesta sexta-feira (11), apresentado pelo jornalista Klauber Beserra, foi debatida a entrevista exclusiva concedida por Antônio Neto Ais, conhecido como Toinho da Braiscompany, ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5 FM. A participação marcou a primeira vez que o empresário falou diretamente à imprensa desde o agravamento do caso envolvendo a empresa de criptomoedas. Direto de Buenos Aires, na Argentina, onde cumpre prisão domiciliar, Toinho respondeu a questionamentos sobre sua situação, os bens bloqueados e os clientes que afirmam ter sofrido prejuízos.
A jornalista Dayana Lucas, gerente de conteúdo da FGTV e apresentadora do Ô Paraíba Boa, relatou no Senso Crítico os bastidores que levaram à entrevista. Segundo ela, a equipe passou a investigar o retorno de Toinho às redes sociais para divulgar cursos e mentorias e buscou confirmar se o perfil era realmente dele. “Os meninos começaram a manter contato, mandaram mensagens para o Toinho para saber se de fato ele tinha feito esse curso, se era ele mesmo de verdade, porque ficou aquela dúvida: será que não era uma IA, uma montagem?”, contou. Após receber um vídeo confirmando sua identidade, a equipe fez o convite e Toinho aceitou falar.
Klauber Beserra destacou a dimensão nacional que o caso Braiscompany alcançou e lembrou os prejuízos relatados por investidores. “A história da Braiscompany, aqui na Paraíba, foi palco e pauta nacional, né? Como um dos maiores e primeiros escândalos de criptomoeda do Brasil. Naquela altura, mais de 20.000 pessoas estavam sendo prejudicadas sem os recebimentos prometidos através da Braiscompany”, afirmou. Segundo o jornalista, as investigações apontaram prejuízo de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. Durante a entrevista, Toinho afirmou que não fugiu e que nunca teria sido proibido de deixar o Brasil, versão que contrasta com o entendimento apresentado pelas autoridades no caso.
Outro ponto debatido foi a responsabilidade pelo não pagamento dos investidores. Dayana afirmou que Toinho atribuiu parte significativa do problema aos bloqueios determinados pela Justiça, mas reconheceu, durante a entrevista, sua responsabilidade como proprietário da empresa. “Mas você entende de quem é a responsabilidade?”, teria questionado Edney Oliveira. Segundo Dayana, a resposta foi: “Minha, porque eu era o dono do negócio, era a minha empresa”. Ainda de acordo com a apresentadora, Toinho declarou que os recursos destinados aos pagamentos foram bloqueados e que atualmente não possui patrimônio disponível para arcar com as obrigações.
A situação dos investidores também foi colocada em discussão no programa. Klauber relatou casos de pessoas que teriam vendido imóveis, veículos ou utilizado empréstimos para aplicar recursos na empresa. Dayana, por sua vez, questionou como ficará a situação dos clientes caso os valores bloqueados não sejam suficientes para cobrir os prejuízos. “A minha preocupação de fato é com quem investiu seus recursos, se de fato eles irão receber esse valor”, afirmou. Ela também mencionou que, segundo uma avaliação jurídica apresentada no programa, mesmo havendo valores bloqueados, a divisão dos recursos entre os credores poderia resultar no recebimento de apenas parte do dinheiro investido.




