O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (9), o fim integral do sigilo que ainda recai sobre as investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Nas petições, a legenda afirma que a divulgação fragmentada de informações dos processos tem provocado “vazamentos seletivos” e prejudicado o equilíbrio do debate eleitoral a menos de um mês do primeiro turno.
Os pedidos foram encaminhados aos ministros André Mendonça e Flávio Dino, que atuam em diferentes frentes relacionadas às apurações. Mendonça é responsável pela investigação principal sobre as fraudes envolvendo o Banco Master e pelas relações de Vorcaro com políticos e autoridades. Já Dino supervisiona outro inquérito que apura suspeitas de desvios e uso irregular de emendas parlamentares.
A discussão ganhou novo capítulo nesta quinta-feira (10), quando Flávio Dino autorizou uma operação da Polícia Federal com 49 mandados de busca e apreensão. A ação investiga suspeitas envolvendo recursos de emendas destinados a entidades ligadas a Karina da Gama, produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A produtora e o deputado federal Mário Frias (PL-SP) foram alvos das buscas.
No pedido apresentado ao STF, o PT argumenta que a manutenção parcial do segredo permite que apenas determinados trechos das investigações cheguem ao público, sem que o contexto completo esteja disponível. A legenda classificou esse cenário como uma “publicidade em mosaico”, alegando que candidatos e partidos mencionados em informações divulgadas pela imprensa ficam impossibilitados de apresentar uma resposta com base no conteúdo integral dos autos.
Entre os documentos que vieram a público está um relatório da Polícia Federal sobre as relações entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, liberado por decisão de André Mendonça. Outra frente da investigação envolve o financiamento do filme Dark Horse: segundo as informações apresentadas no processo, Vorcaro teria repassado pelo menos R$ 61 milhões ao projeto a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. O PT sustenta que os autos principais ainda mantidos sob sigilo deveriam ser tornados públicos para evitar que a divulgação seletiva de informações influencie o processo eleitoral.




