Jean Nunes, secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social - Foto: Larrise Monteiro.

O secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social (SEDS), Jean Nunes, rebateu nesta terça-feira (16) as declarações do deputado estadual Tarcísio Jardim (PP), que havia levantado suspeitas sobre a metodologia utilizada na divulgação dos índices de violência no estado. A resposta foi dada durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5 FM, ampliando o embate público entre o parlamentar e a gestão da segurança pública.

A controvérsia surgiu após Tarcísio afirmar que os dados da criminalidade estariam sendo apresentados de forma distorcida. Segundo o deputado, haveria comparações inadequadas entre municípios com realidades distintas, o que poderia influenciar a percepção sobre a redução da violência. As declarações ocorreram após o parlamentar também defender que, em determinadas regiões, a diminuição dos crimes não estaria necessariamente ligada à atuação das forças de segurança, mas ao domínio territorial exercido por facções criminosas.

Ao responder às críticas, Jean Nunes classificou as acusações como infundadas. “Isso é uma declaração irresponsável, isso é uma declaração que não tem nenhum fundo de verdade. As comparações são feitas entre municípios. Estamos falando do critério mais consolidado que tem no Brasil, que é o Anuário de Segurança Pública. Não é a Secretaria de Segurança do Estado que faz esses dados. Esses números que ele está dizendo aí não são produzidos por nós. É o próprio Anuário de Segurança Pública, que é parâmetro para o Brasil inteiro”, afirmou.

O secretário também ressaltou que os indicadores utilizados pelo Estado passam por auditorias e são compartilhados com diversos órgãos e instituições nacionais. “Os números produzidos pelo Estado são informados ao Ministério da Justiça e criteriosamente auditados. Eles servem de fonte para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, para o Centro de Liderança Pública (CLP), para o Atlas da Violência e para o Ipea. Será possível que todos esses institutos também estejam manipulando informações? A Paraíba é um dos estados mais transparentes na divulgação dos números. Quem diz isso é o Ministério da Justiça”, declarou.

Durante a entrevista, Jean Nunes afirmou ainda que a Paraíba tem sido reconhecida nacionalmente pela qualidade de seus indicadores e metodologias na área de segurança pública. “A Paraíba foi chamada no ano passado para o encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no Espírito Santo, para tratar exatamente de critérios e metodologia. Lá foi identificado que a Paraíba é um dos estados que mais possui indicadores de produtividade e resultados para todas as forças de segurança. Apenas seis estados foram convidados. Então, a gente precisa ter responsabilidade naquilo que fala e conhecer melhor a metodologia antes de tentar induzir a população”, disse.

O secretário também respondeu às acusações feitas por Tarcísio Jardim sobre uma suposta perseguição administrativa contra policiais civis que participaram de movimentos reivindicatórios da categoria. Segundo o deputado, alguns servidores teriam sido transferidos para cidades do interior e sofrido prejuízos financeiros após aderirem ao movimento conhecido como “extra zero”, realizado para pressionar o governo por melhorias para a categoria.

Jean Nunes negou qualquer tipo de retaliação e afirmou que as mudanças fazem parte da rotina administrativa do serviço público. “Não existe nada de perseguição. O que existe é a capacidade que todos os órgãos têm de fazer a gestão das suas instituições, dos seus recursos humanos e das suas estruturas. O Estado não pode abrir mão disso. Transferências, permutas e reorganizações administrativas fazem parte da rotina normal do serviço público. Nenhum apontamento, nenhuma retaliação para ninguém que participou de movimento. Isso simplesmente não existe”, concluiu.

Assista abaixo a entrevista de Jean Nunes ao programa Ô Paraíba Boa:

Tarcísio Jardim denuncia “perseguição” na Polícia Civil e acusa gestão de retaliar servidores

Tarcísio relaciona redução da violência na Paraíba ao domínio de facções: “Tem lugares que se acalmaram porque a facção dominou”

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