Fábio Lopes (PL), vereador de João Pessoa, durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa.

O vereador Fábio Lopes, do PL, defendeu a criação do chamado intervalo bíblico nas escolas públicas e privadas de João Pessoa em entrevista concedida ao portal Fonte83. O projeto de lei, apresentado na Câmara Municipal, autoriza estudantes a utilizarem parte do horário de intervalo para leitura da Bíblia, oração e momentos de reflexão, de forma totalmente voluntária.

Segundo o parlamentar, a proposta nasceu da percepção de que os alunos passam muito tempo ociosos e excessivamente conectados às telas durante os intervalos. “Nós vemos que as crianças não têm muito o que fazer nos horários vagos, às vezes por falta de professor, por aulas vagas, e a gente vê como a quantidade de tela tem degradado as instituições e a formação das nossas crianças”, afirmou.

De acordo com Fábio Lopes, o intervalo bíblico seria uma alternativa para ocupar esse tempo de forma positiva e educativa. “Foi criado o intervalo bíblico para que esse tempo seja investido nessa liturgia. E é de forma voluntária. Quem quiser usar aquele intervalo para fazer leitura bíblica pode participar”, explicou.

O vereador destacou que o projeto não limita a participação apenas a estudantes. “Diáconos, padres, pastores ou líderes religiosos podem, em convênio com as escolas, participar disso”, disse, ressaltando que a iniciativa também busca promover valores éticos e culturais presentes na tradição cristã.

Fábio Lopes argumenta ainda que o contato com textos bíblicos pode contribuir para o desenvolvimento intelectual dos alunos. “A nossa evolução da sociedade histórica dentro da Bíblia e de leituras semelhantes tem um conhecimento jurídico, português e literário que trabalha o imaginário da criança”, declarou.

O projeto de lei estabelece que o intervalo bíblico será uma iniciativa voluntária dos estudantes, podendo ocorrer nos intervalos regulares ou em outro momento acordado com a direção da escola, desde que não prejudique as atividades acadêmicas. O texto também garante a liberdade de consciência e de crença, conforme a Constituição Federal, e veda qualquer tipo de imposição ou censura por parte das instituições de ensino.

Na justificativa apresentada à Câmara, Fábio Lopes afirma que a proposta busca proteger a liberdade religiosa no ambiente escolar, citando episódios ocorridos em outros estados em que encontros espontâneos de estudantes para leitura da Bíblia foram questionados por órgãos e entidades. Para ele, o município deve assegurar que os alunos possam manifestar sua fé de forma pacífica e voluntária dentro das escolas.

A proposta também autoriza parcerias entre as instituições de ensino e entidades religiosas ou civis, com o objetivo de fomentar valores como cultura de paz, solidariedade e respeito mútuo. Segundo o vereador, a medida não fere o princípio do Estado laico, mas reforça o direito individual à livre manifestação religiosa.

O projeto agora será analisado pelas comissões da Câmara Municipal de João Pessoa antes de seguir para votação em plenário, em meio a um debate que promete dividir opiniões entre educadores, pais e especialistas sobre os limites entre fé, escola e Estado.

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