Vereador Bosquinho (PV) durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa.

O vereador Bosquinho (PV) voltou a agitar o debate sobre segurança nas corridas de rua em João Pessoa ao participar do programa Ô Paraíba Boa, nesta quarta-feira (19), apresentado por Fabiano Gomes, Jaceline Marques e Clauber Beserra. Em tom de alerta, o parlamentar criticou o modelo atual de organização dos eventos esportivos e afirmou que há provas movimentando milhões sem garantir a proteção adequada aos atletas.

Durante a entrevista, Bosquinho foi direto ao falar sobre o projeto de sua autoria aprovado pela Câmara Municipal que torna obrigatório o laudo médico para participação em corridas de rua. O prefeito Cícero Lucena (MDB) já sinalizou que deve vetar a proposta, alegando que a medida inviabilizaria o calendário esportivo e afastaria atletas de outras cidades.

Bosquinho, porém, rebateu a narrativa e trouxe números que chamaram a atenção:

“Se a gente fizer uma conta por baixo, essa corrida de amanhã arrecada mais de R$ 3 milhões. A última, no domingo, tinha 10 mil inscritos a R$ 150. Quanto dá? Hum…”, questionou.

O vereador então apontou o que, segundo ele, é o maior problema: a falta de responsabilidade assumida pelos organizadores diante de acidentes, desmaios, convulsões e até mortes.

“Quando as pessoas morrem, quando têm infarto, convulsão… A culpa é de quem? Da Prefeitura? Do SAMU? Do organizador privado? Ou do atleta que foi negligente?”, disparou.

A fala ocorreu poucos dias após a morte de um corredor durante a Meia Maratona de João Pessoa, episódio que reacendeu o debate sobre segurança e preparo físico. Cícero classificou o caso como “fatalidade” e reforçou que o atleta possuía atestado médico, o que, segundo o prefeito, comprovaria que a obrigatoriedade do documento não impediria tragédias.

O gestor municipal insistiu que a exigência do laudo é um “desserviço” e que a corrida de rua é uma atividade espontânea, cabendo ao atleta avaliar sua capacidade física. Bosquinho, no entanto, afirma que a discussão não pode ignorar os milhões movimentados pelas empresas de eventos, que, segundo ele, lucram alto, mas não assumem riscos.

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