Sheyner Asfóra, presidente Abracrim, durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa.

O presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), Sheyner Asfóra, alertou nesta quinta-feira (3), durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da FM 100.5, para o potencial de destruição das fake news quando divulgadas horas antes da votação. Segundo ele, mesmo com a atuação mais rápida da Justiça Eleitoral, o tempo pode ser insuficiente para impedir o impacto sobre o eleitor.

“É sempre uma problemática essa questão do tempo. Muitas vezes se tem uma deepfake ou uma notícia falsa que é espalhada e imediatamente a assessoria do candidato ajuíza uma representação pedindo a retirada”, explicou Sheyner. Para ele, embora existam decisões céleres, “muitas vezes não chega a tempo de o estrago já estar feito”.

O criminalista lembrou ainda que o problema não surgiu com as redes sociais e citou um episódio ocorrido em uma eleição de Cabedelo, quando uma falsa informação sobre a morte de um candidato teria sido espalhada no próprio dia da votação. “Se instaurou no dia da eleição, logo cedo, que o candidato tinha falecido”, relatou Sheyner, ao relembrar o episódio envolvendo Zé Régis.

Segundo o advogado, diante da informação falsa, a orientação dada ao candidato foi mostrar publicamente que estava vivo. “Seja homem, vá para a rua! Vá para a rua, mostre ao povo que você está vivo!”, teria orientado o advogado Marcos Pires, conforme o relato feito por Sheyner durante a entrevista.

Para Sheyner, o episódio demonstra que a fake news não nasceu com a internet, mas ganhou uma capacidade de propagação muito maior com as redes sociais. “A fake news não nasceu agora. A fake news se modernizou e ganhou velocidade”, destacou.

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