Ruy Carneiro, deputado federal (Podemos), durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa.

O deputado federal Ruy Carneiro (Podemos) fez duras críticas ao aumento de supersalários e ao chamado “furo do teto” no serviço público, especialmente no Judiciário, mas adotou um tom cauteloso ao comentar o anúncio de elevação da verba de gabinete dos deputados federais durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, nesta sexta-feira (6).

Questionado sobre a declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que sinalizou o aumento da verba parlamentar de R$ 133 mil para R$ 165 mil, Ruy afirmou que não tinha conhecimento detalhado da proposta. Segundo ele, a informação que chegou ao seu conhecimento foi apenas de um reajuste inflacionário nos salários dos servidores dos gabinetes, algo que, de acordo com o parlamentar, ocorre de forma rotineira.

“Eu não vi essa fala. O que eu soube é que iria ser reajustado pela inflação, como normalmente acontece, o salário dos servidores dos gabinetes”, disse, evitando entrar diretamente no mérito do aumento global da verba.

Apesar disso, Ruy Carneiro foi enfático ao criticar os supersalários pagos em outros poderes e classificou como “completamente equivocado” o rompimento do teto constitucional. Para o deputado, a prática é injustificável em um país onde diversas categorias profissionais ainda lutam para garantir ou reajustar pisos salariais básicos.

Ele citou como exemplo a enfermagem, que enfrentou uma longa batalha para a aprovação do piso nacional, além de outras categorias como garis, fisioterapeutas, nutricionistas e odontólogos. “Choca o cidadão”, afirmou, ao comparar essas lutas com os vencimentos de autoridades que, segundo ele, chegam a receber entre R$ 80 mil e R$ 150 mil mensais.

Ruy destacou que esse cenário representa um desrespeito direto ao contribuinte. “Isso é um desrespeito a quem está pagando imposto”, declarou, acrescentando que não é razoável aceitar diferenças salariais tão extremas enquanto profissionais essenciais enfrentam dificuldades até para garantir um salário mínimo digno.

Embora reconheça que diferenças salariais existam e façam parte da estrutura do serviço público, o deputado avaliou que o problema está no exagero e na falta de sensibilidade social. Para ele, o avanço dos supersalários amplia a distância entre o Estado e a população e alimenta a indignação popular com a política e as instituições.

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