Com a chegada do Ano Novo, a tradicional lista de promessas volta a ocupar espaço na rotina e nos pensamentos de muitas pessoas. Metas relacionadas à saúde, carreira, finanças e relacionamentos costumam surgir acompanhadas de grandes expectativas e, em muitos casos, de frustrações ao longo do caminho. Para entender como transformar esses planos em algo mais viável e como preparar a mente para 2026, o portal Fonte83 conversou com a psicóloga clínica e pós-graduanda em Neurociências e Comportamento, Elisiane Barbosa.

Elisiane Barbosa, psicóloga clínica e pós-graduanda em Neurociências e Comportamento.
Segundo a especialista, o hábito de estabelecer metas no início do ano é comum, mas nem sempre saudável quando feito de forma automática ou irrealista. “É comum as pessoas fazerem promessas para o Ano Novo e acabarem lamentando depois, enfrentando sentimentos de frustração por aquilo que não conseguiram alcançar”, explica.
Elisiane ressalta que não é necessário esperar a virada do calendário para iniciar mudanças. No entanto, reconhece que, culturalmente, o começo de um novo ano funciona como um marco simbólico para reavaliar a vida e traçar novos projetos. O problema, segundo ela, surge quando essas metas não estão alinhadas com a realidade de cada pessoa.
“A construção de metas precisa considerar a capacidade e a condição realista de evolução do indivíduo. Quando os objetivos estão muito distantes dos passos que a pessoa pode dar, isso pode se tornar ilusório e até uma forma de enganar a si mesmo”, afirma. Esse processo, segundo a psicóloga, pode levar à chamada autossabotagem, quando o próprio indivíduo cria obstáculos para o cumprimento das metas e, posteriormente, se culpa por não ter conseguido avançar.
Para evitar esse ciclo, Elisiane destaca a importância de estabelecer objetivos possíveis, com etapas claras e alcançáveis. Ela também chama atenção para o papel da esperança no processo de mudança. “É importante fortalecer a esperança, porque ela fortalece a energia de vida”, pontua.
A preparação mental para 2026, segundo a especialista, passa pelo autoconhecimento, pela definição de expectativas realistas e pela construção gradual de projetos pessoais. “Traçar planos com passos possíveis ajuda a manter a motivação e reduz a frustração, permitindo que o crescimento aconteça de forma mais saudável”, conclui.
Assim, mais do que uma lista extensa de promessas, o início de um novo ano pode ser um convite à reflexão, ao planejamento consciente e ao compromisso com metas que respeitem limites, possibilidades e o tempo de cada um.
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