O presidente da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), Ferdinando Lucena, fez um alerta público sobre os desafios enfrentados por João Pessoa diante do crescimento acelerado do turismo. Em entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio FM 100.5, ele destacou que o sucesso da atividade trouxe pressão sobre a cidade, especialmente na mobilidade urbana, infraestrutura e questões ambientais.
Segundo Ferdinando, o fluxo intenso de visitantes é um reflexo direto do bom momento vivido pelo setor. “João Pessoa não teve baixa temporada em 2025. Tivemos mais de 85% de ocupação média na hotelaria durante todo o ano”, afirmou. Para ele, o crescimento é positivo, mas exige adaptação imediata da cidade.
O presidente da PBTur ressaltou que a capital paraibana é hoje a principal porta de entrada de turistas no estado e precisa se estruturar para atender um público cada vez mais exigente. “A cidade precisa se preparar para receber esses turistas. Hoje ela está cheia, bastante cheia, e isso impacta diretamente na mobilidade”, disse.
Questionado se a prefeitura estaria errando na condução da mobilidade urbana, Ferdinando evitou personalizar críticas, mas reconheceu falhas históricas. “A falta de investimentos em infraestrutura turística já vem de muito tempo. A cada ano isso se agrava mais”, pontuou, acrescentando que situações como congestionamentos e dificuldades de deslocamento geram reclamações naturais em períodos de alta demanda.
Ele comparou João Pessoa a outros destinos consolidados do país. “Em cidades como Gramado ou Campos do Jordão, na alta temporada, os preços sobem e a cidade se organiza para isso. João Pessoa precisa se adaptar a esse processo”, afirmou, defendendo planejamento contínuo.
Outro ponto sensível abordado na entrevista foi a questão ambiental, especialmente o esgoto e a balneabilidade das praias. Ferdinando reconheceu que o problema é antigo, mas destacou esforços conjuntos para enfrentá-lo. “Existe hoje um esforço concentrado do Governo do Estado, da Prefeitura, do Ministério Público e dos órgãos ambientais para combater esse desafio”, declarou.
Ele lembrou que estabelecimentos já foram multados e até fechados por irregularidades, mas admitiu que o problema ainda persiste. “São desafios históricos, resultado de políticas equivocadas e de falhas na fiscalização ao longo dos anos”, disse.
Apesar disso, o presidente da PBTur ressaltou avanços recentes. “Diminuiu bastante o número de praias impróprias para banho. Hoje são casos pontuais, mas não dá para fingir que o problema não existe”, alertou.
Ferdinando também enfatizou que situações negativas acabam prejudicando o trabalho de promoção turística do estado. “Só em 2025 participamos de mais de 80 eventos de turismo, levando agentes e operadores para conhecer a Paraíba. Quando o turista chega e se depara com notícias negativas, isso atrapalha todo o planejamento”, afirmou.
Por fim, reforçou a confiança nas instituições para resolver os entraves. “Acredito muito nos órgãos ambientais, no Ministério Público e nas forças públicas para enfrentar esse problema com coragem. O turismo cresce, gera emprego e renda, mas precisa de uma cidade preparada para acompanhar esse crescimento”, concluiu.




