Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Foto: Reprodução

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que pretende recolocar em pauta, na “primeira oportunidade”, o pedido de convocação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O requerimento foi rejeitado em 4 de dezembro, quando recebeu 12 votos favoráveis e 19 contrários, mas Viana afirma que insistirá na votação. “Cada parlamentar votará de acordo com a sua consciência”, declarou o senador em entrevista no Senado.

A ofensiva também alcança José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). Em outubro do ano passado, a base governista, que detém maioria na CPMI, derrubou ao menos 11 requerimentos para ouvi-lo. Mesmo assim, Viana quer retomar a discussão e submeter novamente os pedidos ao colegiado.

Os nomes de Lulinha e Frei Chico apareceram nas investigações da Polícia Federal sobre um esquema de desvios bilionários em benefícios de aposentados do INSS. A apuração envolve transações financeiras supostamente irregulares que, segundo a PF, podem ter ligação com agentes públicos e empresários. Há poucos dias, o presidente Lula disse ter conversado com o filho e afirmou que, caso haja irregularidades, “pagará o preço”.

Além dos familiares do chefe do Executivo, o presidente da CPMI quer votar solicitações para convocar a publicitária Danielle Miranda Fonteles, ligada ao PT. A investigação da comissão identificou uma movimentação milionária entre ela e Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”. Os requerimentos relativos a Danielle Fonteles também foram rejeitados em outubro, por 19 votos a 11, mas Viana pretende reapresentá-los.

Para a próxima segunda-feira, a CPMI confirmou o comparecimento de Edson Araújo, deputado estadual pelo Maranhão, e de Paulo Camisotti, filho e sócio do empresário Maurício Camisotti. Esses depoimentos estão mantidos, embora as reuniões deliberativas do colegiado costumem ocorrer às quintas-feiras.

Apesar das derrotas sucessivas, Carlos Viana sustenta que as convocações são necessárias para esclarecer a participação de eventuais beneficiários no esquema investigado. A base governista, por sua vez, alega que os requerimentos miram familiares do presidente com objetivo político e não contribuem para elucidar fraudes contra o INSS.

Com a retomada dos trabalhos após o recesso parlamentar, a tendência é que a disputa em torno das convocações se intensifique. Caso o presidente coloque os pedidos em votação, caberá novamente à maioria governista decidir se mantém o bloqueio ou se permite que Lulinha, Frei Chico e aliados sejam ouvidos pelo colegiado.

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