A prisão preventiva de José Thomas Jefferson Lima Silva, presidente do Instituto de Gestão Social de Pernambuco (IGESPE), pela Polícia Federal (PF), colocou sob atenção o contrato mantido pela entidade com a Prefeitura de Cajazeiras, no Sertão paraibano. O instituto tem no município seu único contrato registrado na Paraíba, com mais de R$ 53 milhões empenhados desde 2024 e quase R$ 52,9 milhões pagos. A contratação está vinculada à área da saúde e envolve a gestão da prefeita Maria do Socorro Delfino, conhecida como Corrinha Delfino (PP).
A prisão ocorreu durante a Operação Mamon, deflagrada pela PF com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) para investigar suspeitas de fraude em contratações públicas, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva em Pernambuco, Paraíba e Paraná. Segundo os investigadores, foram identificados indícios de direcionamento de contratações, movimentações financeiras consideradas atípicas e saques elevados em espécie a partir de contas relacionadas ao instituto.
Em Cajazeiras, a relação entre o município e o IGESPE foi formalizada por contrato firmado em novembro de 2024 para a prestação de serviços complementares de saúde. Em novembro de 2025, a prefeita Corrinha Delfino assinou, pelo município, um termo aditivo que reajustou os valores e prorrogou a vigência do contrato até novembro de 2026. O documento também foi assinado por Thomas Jefferson, presidente do instituto que agora é alvo da investigação federal.
A operação apreendeu cerca de R$ 700 mil em dinheiro, além de veículos, joias e relógios, segundo informações divulgadas sobre a ação. A PF informou que as investigações continuam com a análise do material recolhido para identificar a destinação dos recursos e eventual participação de outros envolvidos. Até o momento, não há conclusão de que o contrato de Cajazeiras tenha sido objeto de fraude; a apuração federal trata de suspeitas que ainda serão esclarecidas. A Prefeitura de Cajazeiras e a defesa dos investigados ainda não haviam apresentado manifestação pública sobre o caso até a publicação desta matéria.
Veja abaixo os documentos da investigação:





