Há um limite que o bom senso impõe — e ele já foi ultrapassado.
O que se vê hoje, a olhos nus, tanto no Governo da Paraíba quanto na Prefeitura de João Pessoa, é um fenômeno preocupante: secretários que já vestiram a camisa de candidatos, mas insistem em permanecer sentados na cadeira da administração pública. O resultado é previsível — e grave.
Secretarias estão sendo abandonadas na prática. Quando não estão vazias, viram comitês eleitorais disfarçados, onde o interesse público é empurrado para o canto enquanto a agenda pessoal avança a todo vapor. Cargos técnicos, criados para resolver problemas da população, passam a servir a projetos individuais e a cabos eleitorais.
Isso não é apenas deselegante. É errado.
Governar exige dedicação integral. O governador João Azevêdo e o prefeito Cícero Lucena foram eleitos para entregar resultados à sociedade — e não para assistir suas gestões serem usadas como trampolim eleitoral por quem já fez outra escolha.
Quando um secretário decide ser candidato, ele automaticamente deixa de ser secretário na essência. Porque não há como servir a dois senhores. Ou se governa, ou se faz campanha. O que não é aceitável é fazer as duas coisas ao mesmo tempo, utilizando estrutura pública paga pelo contribuinte: carro oficial, motorista, combustível, agenda institucional e o peso simbólico do cargo.
Secretaria não é patrimônio político.
Secretaria não é comitê eleitoral.
Secretaria é instrumento de política pública.
Cada dia em que uma pasta deixa de atender a sociedade para atender interesses eleitorais é um dia perdido para o povo. E essa conta não fecha — quem paga é a população.
Por isso, não cabe apenas cobrança dos órgãos de controle ou da oposição. Cabe, principalmente, bom senso. O gesto correto é simples, ético e necessário: quem é candidato, saia do cargo. Faça campanha com seus próprios meios, no seu próprio tempo, sem confundir Estado com projeto pessoal.
Permanecer no governo nessas condições não é lealdade, é oportunismo.
E o eleitor está vendo.
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