A Operação Purgatório, deflagrada nesta quinta-feira (20) pelo Ministério Público da Paraíba e pela Polícia Civil, colocou a Prefeitura de Caaporã no centro de uma investigação sobre um possível esquema de desvio de recursos públicos. A apuração é conduzida de forma integrada pelo Gaeco, pela CCrimp e pela Draco e mira uma possível organização criminosa instalada dentro da estrutura do Poder Executivo municipal.
O caso tem como principal consequência política, até o momento, o afastamento cautelar do prefeito Francisco Nazário de Oliveira, conhecido como Chico Nazário, do União Brasil. A medida foi determinada pelo Tribunal de Justiça da Paraíba e ocorreu durante a operação que também cumpriu mandados de busca e apreensão e determinou o sequestro de bens e valores dos investigados.
De acordo com o Ministério Público, o prejuízo aos cofres públicos de Caaporã já ultrapassa R$ 2 milhões, em valores atualizados. O foco principal da investigação está em contratos relacionados à coleta de resíduos sólidos e à limpeza urbana do município.
A investigação aponta indícios de fraudes em procedimentos de contratação pública e de dispensas ilegais de licitação. Os investigadores também apuram a possibilidade de direcionamento de contratações emergenciais, superfaturamento de serviços e desvio sistemático de recursos públicos.
Mas o caso não se limita às suspeitas envolvendo licitações. O MPPB informou que também são investigadas possíveis práticas de falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de capitais. Segundo o órgão, a suspeita de lavagem estaria relacionada à destinação e à circulação dos recursos públicos supostamente desviados.
As investigações tiveram início em setembro de 2025, após a divulgação de um vídeo que mostraria Chico Nazário recebendo uma bolsa contendo dinheiro em espécie, antes das eleições municipais de 2024. Segundo reportagens sobre o caso, o valor teria sido estimado em aproximadamente R$ 400 mil.
Quem são os investigados
Ao todo, 12 investigados são alvo das medidas judiciais. Entre eles estão agentes públicos, particulares e três empresas relacionadas à investigação. Os nomes citados incluem o próprio Chico Nazário, a secretária e primeira-dama Cristine Roberta Rodrigues Pinho, Gabriel Gomes Nogueira, Francisco Nogueira de Barros, Hilton Amorim Cunha Júnior, Sandro Trajano de Freitas e Rute Gomes da Silva de Freitas.
Também estão entre os investigados Severino Pereira de Lima Neto, secretário de Infraestrutura e Serviços Urbanos, e Fernanda Ellen da Silva Gomes, agente de contratação. As empresas citadas são a HAC Serviços Ambientais Ltda., GN Locações e Serviços Ltda. e Caaporã Cargas e Logística Ltda.
A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores até o limite do prejuízo atualmente calculado. A medida busca garantir patrimônio que possa ser utilizado para eventual ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam posteriormente comprovadas.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços localizados na Paraíba e em Pernambuco. Entre os locais atingidos estão endereços vinculados aos investigados, dentro de uma estratégia para recolher documentos, equipamentos e outros elementos considerados relevantes para a investigação.
Posse do vice-prefeito
O afastamento do prefeito provocou uma mudança imediata no comando da Prefeitura de Caaporã. Horas depois da operação, o vice-prefeito Carlos Monteiro tomou posse como prefeito interino durante uma cerimônia realizada na Câmara Municipal.
A posse foi conduzida pelo presidente da Câmara Municipal, Oto Mariano. Carlos Monteiro assinou a ata e assumiu a administração municipal enquanto permanecer vigente a decisão judicial que afastou Chico Nazário.
No discurso, o novo prefeito interino tentou transmitir tranquilidade à população diante da crise política e administrativa. “Mantenham a calma, que eu estou aqui, e o trabalho continua. Somos uma equipe, sozinhos não chegamos a lugar nenhum”, declarou Carlos Monteiro.
Respostas
A empresa HAC Serviços Ambientais Ltda., uma das citadas na investigação, informou que está colaborando com as autoridades e que entregou ao Ministério Público a documentação solicitada.
Já a GN Locações e Serviços Ltda. ainda não havia apresentado resposta, enquanto o contato da Caaporã Cargas e Logística Ltda. não foi localizado nas informações divulgadas. Também não havia sido obtida manifestação das defesas de todos os demais investigados.



