Nêuton Magalhães, neurocirurgião, Especialista em dor, durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa.

O neurocirurgião e especialista em dor Nêuton Magalhães foi o entrevistado do programa Ô Paraíba Boa, nesta quarta-feira (11), e abordou temas como depressão, enxaqueca, fibromialgia e os avanços tecnológicos na área neurológica. Durante a conversa, o médico fez alertas importantes sobre diagnóstico correto e tratamento adequado das dores crônicas.

Ao falar sobre depressão, ele explicou que o transtorno está relacionado a alterações químicas no cérebro. “A depressão é um déficit de um neurotransmissor no cérebro”, afirmou. O especialista destacou que, além dos medicamentos, já existe no exterior a possibilidade de tratamento com estimulação cerebral profunda, técnica utilizada também em pacientes com Parkinson. “Já temos a possibilidade de estimulação cerebral profunda, que é a mesma cirurgia que a gente faz para Parkinson, só que ainda não está liberada no Brasil para depressão”, pontuou, ressaltando que o procedimento segue critérios rigorosos.

Sobre dor de cabeça, Nêuton chamou atenção para a variedade de diagnósticos possíveis. “Existe a classificação internacional de dor de cabeça que tem mais de 200 tipos”, explicou. Ele também alertou para os sinais de gravidade: “Uma dor de cabeça muito forte que atinge o pico máximo de intensidade em um minuto deve procurar emergência imediatamente”, disse, destacando que pode se tratar de algo mais sério, como um aneurisma.

O médico criticou a cultura da automedicação, especialmente nos casos de enxaqueca. “Enxaqueca é uma doença genética. Vai ter enxaqueca para o resto da vida”, afirmou. Segundo ele, quando as crises se tornam frequentes, pelo menos três episódios fortes em dois meses, é necessário tratamento preventivo. “Não é ficar com automedicação. Existe uma cultura de automedicação e isso leva a consequências muito mais sérias”, alertou.

Ao comentar sobre fibromialgia, o especialista explicou que se trata de uma alteração no sistema que regula a dor. “A fibromialgia é uma desregulação do sistema de dor”, disse. Ele ressaltou que é uma condição crônica e comparou: “É uma doença crônica como diabetes e como hipertensão e as pessoas têm que ter tratamento continuamente”.

Durante a entrevista, Nêuton também destacou que o Brasil possui tecnologia para tratamentos neurológicos, mas enfrenta dificuldades de acesso. “Tecnologicamente sim, agora existe uma demanda reprimida muito grande em termos de cirurgias neurológicas”, avaliou.

Por fim, o médico reforçou que a dor não deve ser ignorada nem tratada apenas com soluções momentâneas. “Precisa procurar um profissional adequado para isso”, concluiu.

📺 A entrevista completa pode ser conferida no vídeo disponível abaixo.

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