Advogada Myriam Gadelha, ex-esposa de Fábio Tayrone, ex-prefeito de Sousa.

A advogada Myriam Gadelha falou abertamente sobre os ataques que enfrentou durante o período eleitoral após o rompimento com o ex-prefeito de Sousa, Fábio Tyrone. Em entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, ela relatou críticas, agressões no ambiente político e o impacto emocional que sofreu ao longo do processo.

Ao comentar o clima da campanha, Myriam reconheceu que houve agressões mútuas e afirmou que o período foi “muito difícil e muito complicado”, especialmente pelo fato de, segundo ela, ter sido alvo constante de críticas por ter decidido compor chapa.

“Muita gente me criticou por ter composto a chapa. Minha família é política desde os anos 1960. Não teria motivo algum para eu não participar também”, afirmou.

Ela disse que parte das críticas tinha cunho machista. “Diziam que eu entrei para bater de frente com ele, como se eu não tivesse vontade própria, como se eu não tivesse pauta”, declarou.

Machismo na política

Myriam destacou que mulheres na política ainda enfrentam questionamentos sobre legitimidade, especialmente na Paraíba e no Nordeste.

“É como se a mulher não tivesse raiz, como se não tivesse história. Muitas entram pelas mãos de um homem, como filhas ou irmãs de políticos. Ainda funciona assim, infelizmente”, disse.

Segundo ela, o período eleitoral evidenciou que ainda há tolerância com comportamentos agressivos no ambiente político.

“Não existe ainda esse corte de tolerância. As pessoas ainda toleram agressores nos espaços de poder”, afirmou, defendendo que a sociedade precisa adotar postura mais firme diante de casos de violência.

Impacto emocional e decisões judiciais

A advogada também revelou que enfrentou um período de depressão antes da primeira sentença judicial relacionada ao caso envolvendo seu ex-companheiro.

“Antes da primeira sentença eu vivia outro momento. Tive uma depressão muito forte. Quando a Justiça reconhece que houve agressão, não é só você dizendo, está ali, julgado, em três instâncias”, declarou.

Para ela, decisões judiciais que reconhecem a condição de agressor representam um marco não apenas pessoal, mas coletivo.

“Não é uma vitória individual. É coletiva. Quando a Justiça age, afasta a sensação de impunidade. Muda na vida dele e muda na nossa também”, concluiu.

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