O marqueteiro político Anderson Pires alertou para os riscos éticos e legais do uso de deepfakes durante a campanha eleitoral. Em entrevista ao programa Senso Crítico, da FGTV, na quarta-feira (2), ele defendeu a criação de regras claras para impedir que conteúdos produzidos por inteligência artificial sejam utilizados para criar falsas realidades durante as eleições.
Segundo Pires, mesmo conteúdos produzidos com uma suposta “boa intenção” podem gerar problemas ao apresentar como verdadeiro um acontecimento que nunca ocorreu. Ele citou como exemplo um vídeo que recebeu nas redes sociais mostrando pessoas sentadas em fila enquanto um cachorro era colocado diante delas para, supostamente, escolher quem seria seu tutor. O marqueteiro chegou a compartilhar o conteúdo com a irmã, que atua na proteção de animais, mas descobriu posteriormente que a gravação era criada por inteligência artificial.
Para Pires, o episódio demonstra que a discussão não deve se limitar à intenção de quem produz o conteúdo. “É um deepfake do bem, não ofende a ninguém, mas não é real”, afirmou. Na avaliação do marqueteiro, permitir esse tipo de material com base em um julgamento sobre a finalidade abriria espaço para que conteúdos manipulados com objetivos políticos também fossem justificados sob o argumento de que teriam uma suposta intenção positiva.
Durante a entrevista, Pires defendeu que o processo eleitoral tenha um regramento específico e sem brechas para o uso de inteligência artificial. Ele argumentou que a criação de imagens, vídeos ou falas fictícias atribuídas a pessoas reais pode interferir na percepção dos eleitores e comprometer os princípios de transparência que devem orientar as campanhas. A discussão ganhou força após a utilização de inteligência artificial para criar uma aparição virtual do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o lançamento da candidatura de seu filho, episódio que ampliou o debate sobre os limites do chamado “deepfake do bem”.
Na avaliação do marqueteiro, a legislação precisa estabelecer critérios objetivos para diferenciar conteúdos legítimos de manipulações capazes de alterar a realidade. “A gente não pode trabalhar com a lógica da intencionalidade”, afirmou Pires, ao defender que o uso político da inteligência artificial seja submetido a regras claras, especialmente em um processo eleitoral no qual conteúdos falsos podem influenciar diretamente a escolha dos eleitores.
Senso Crítico debate os principais assuntos desta quarta-feira na FGTV



