O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18) que não concorda com a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durante evento no Rio de Janeiro sobre ações integradas de segurança pública, Lula criticou a medida adotada pelo governo de Donald Trump e defendeu que o Brasil amplie os investimentos no combate ao crime organizado e na proteção de suas fronteiras.
“Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, declarou o presidente. Na sequência, Lula citou os ataques de 8 de janeiro de 2023 e o planejamento de assassinatos de autoridades investigado no contexto da trama golpista para sustentar sua interpretação sobre o conceito de terrorismo. As declarações foram feitas durante um discurso voltado à política de segurança pública no país.
Lula também afirmou que os interesses dos Estados Unidos sobre recursos naturais brasileiros reforçam, na avaliação dele, a necessidade de ampliar a capacidade de defesa nacional. O presidente mencionou o potencial de petróleo da Margem Equatorial e citou minerais críticos e terras raras como recursos estratégicos. “Isso daqui é nosso. Como vamos controlar 18 mil quilômetros de fronteira sem investimento?”, questionou. A declaração ocorre em meio a discussões sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos e sobre a atuação norte-americana contra organizações criminosas na América Latina.
A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos representa uma mudança na abordagem de Washington em relação às duas facções brasileiras. No Brasil, entretanto, as organizações continuam sendo enquadradas pela legislação nacional como organizações criminosas. O governo brasileiro já manifestou preocupação com possíveis consequências da medida norte-americana e com a possibilidade de ações estrangeiras unilaterais. Durante o evento, Lula ainda defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública e afirmou que, caso seja reeleito, pretende retomar territórios atualmente ocupados por organizações criminosas. O presidente também citou a PEC da Segurança Pública, em tramitação no Congresso Nacional, como parte da estratégia para ampliar a participação da União no setor.




