O secretário municipal de Saúde de João Pessoa, Luiz Ferreira, revelou nesta segunda-feira (2), durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da FM 100.5, que a relação entre a Secretaria de Saúde da capital e a Secretaria de Estado da Saúde enfrentou uma crise tão intensa que precisou da intervenção do Ministério Público da Paraíba para evitar prejuízos à população.
Segundo ele, o conflito entre as pastas não é novo e sempre foi marcado por tensão. “Na realidade, a relação técnica entre a saúde de João Pessoa e a saúde do Estado sempre foi muito conflituosa. Existia uma linha muito tênue que muitas vezes precisava de intervenção política para que as coisas se desenhassem de forma mais acessível ao paciente”, afirmou.
O secretário relatou que, no início do impasse mais recente, houve rompimento e até “portas fechadas” por parte do Estado. “Tivemos dificuldades quando houve o rompimento. Houve portas fechadas por parte do Estado”, declarou.
A crise se agravou após entrevistas públicas e trocas de declarações na imprensa. De acordo com Luiz Ferreira, foi após uma entrevista concedida pelo secretário estadual que o Ministério Público decidiu agir. “O Ministério Público interviu, nos colocou frente a frente numa mesa e fez uma intermediação. O que ficou combinado é que o Estado continuaria recebendo os pacientes de João Pessoa, e João Pessoa, que nunca deixou de receber e nem deixará, continuaria recebendo os pacientes do Estado até o período pós-eleição”, explicou.
Durante a entrevista, o secretário foi além e sugeriu que o embate não era apenas técnico. “Este não é o momento de fazer discussão técnica. Ninguém é menino para achar que não haveria intervenções políticas, interesses outros que impossibilitariam uma conversa verdadeiramente técnica”, afirmou, indicando que o ambiente eleitoral teria contaminado o diálogo institucional.
Ele ressaltou que o Ministério Público atuou como mediador para garantir que a população não fosse prejudicada. “O Ministério Público cumpriu um papel de proteção do público mesmo, como o nome já diz, e nos orientou. Isso foi um balizador muito grande para que a gente converse sobre isso em outro momento, quando os ânimos se acalmarem e não haja uma campanha tão acirrada pela frente.”
Apesar da crise exposta, o secretário garantiu que o atendimento à população está mantido e que os serviços entre Estado e município seguem funcionando após o acordo intermediado pelo órgão ministerial.



