Andreia Barros, jornalista e empresária, durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa.

A jornalista e empresária Andreia Barros relatou episódios de assédio, machismo e dificuldades enfrentadas ao longo da carreira no jornalismo durante entrevista concedida ao programa Ô Paraíba Boa, nesta segunda-feira (9). A participação fez parte de uma série especial em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que abre espaço para mulheres paraibanas contarem suas trajetórias e desafios profissionais.

Durante a conversa, Andreia afirmou que enfrentou preconceito dentro do próprio ambiente de trabalho e disse que, em determinados momentos da carreira, chegou a sofrer pressão de colegas, inclusive de outras mulheres.

“Já sofri assédio, machismo na profissão, inclusive de mulheres. Chegaram a pedir a minha cabeça na época porque eu era mulher”, relatou.

A jornalista lembrou de situações vividas quando atuava no jornalismo esportivo. Segundo ela, muitas vezes era alvo de comentários e piadas por manter seu estilo pessoal mesmo trabalhando em ambientes predominantemente masculinos.

“Quando eu fazia matéria de esporte, ia para o campo de salto alto, de batom, cheirosa, porque faz parte da minha personalidade. Nunca deixei de ser quem eu sou por causa da função que estava exercendo”, contou.

Andreia também relembrou o período em que trabalhou com o jornalista e ex-secretário de Comunicação Nonato Bandeira, a quem classificou como um mentor profissional.

Segundo ela, em alguns momentos precisou representar a equipe de comunicação em eventos e reuniões, o que acabou gerando questionamentos e críticas nos bastidores da política.

“Quando eu representava em algumas situações, ouvi comentários do tipo ‘nossa, mas é essa?’. Eram muitas piadinhas e situações constrangedoras”, disse.

A jornalista afirmou ainda que os episódios de preconceito e pressão chegaram a impactar sua trajetória profissional, levando inclusive ao afastamento do mercado em determinados períodos.

“Eu sofri muito a ponto de ser tirada do mercado, de ser escanteada por ser mulher”, afirmou.

Andreia também citou a experiência na campanha do ex-prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo, quando atuou como coordenadora de imprensa.

Segundo ela, apesar do trabalho desenvolvido durante o processo eleitoral, acabou sendo deixada de lado após o resultado da disputa.

“Começamos a campanha quando ele estava em quarto lugar e, com o trabalho da equipe, conseguimos ajudar na vitória. Mas depois fui escanteada”, relatou.

A jornalista contou ainda que chegou a enfrentar episódios de intimidação, como o envio de cartas anônimas e até danos ao próprio carro.

“Foi bem pesado. Nunca tinha falado sobre isso publicamente”, revelou.

Depois dessas experiências, Andreia decidiu se afastar da cobertura política e buscar novos caminhos dentro da comunicação. Foi nesse contexto que surgiu a criação da empresa Vivass Comunicação, projeto que hoje reúne um grupo de mulheres empreendedoras.

Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo da carreira, ela destacou a importância de abrir espaço para que outras mulheres compartilhem suas histórias.

“É preciso ter coragem, sangue frio e muito estômago para enfrentar certas situações. Eu entendi que política não era mais para mim e resolvi seguir outro caminho dentro do jornalismo”, concluiu.

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