Em meio às articulações no Congresso Nacional sobre o destino da investigação do caso Banco Master, a oposição liderada pelo Cabo Gilberto Silva (PL-PB) reagiu com firmeza contra qualquer tentativa de usar a análise do veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria como moeda de troca para segurar a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. A cobrança foi feita nesta sexta-feira (28), em reação a rumores de acordo nos bastidores do Legislativo.
Líderes da oposição disseram em pronunciamentos que não vão aceitar vincular a derrubada do veto à redução de penas dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 à retirada de pressão para efetivar a CPMI. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, chegou a afirmar que “já pagamos essa conta ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre”, referindo-se ao apoio recebido por Alcolumbre em ocasiões anteriores, e que não aceitaria repetir esse tipo de troca política.
Cabo Gilberto também criticou diretamente a demora na marcação de sessões do Congresso para a leitura oficial do requerimento de instalação da comissão, que já possui as assinaturas necessárias dos parlamentares. Segundo ele, independentemente das negociações em torno da dosimetria, a questão da CPMI precisa avançar e não pode ser deixada de lado por interesses políticos ou regimentais.
A polêmica em torno da CPMI do Banco Master ganhou força nos últimos dias porque lideranças do chamado Centrão teriam colocado a possibilidade de diminuir a pressão pela comissão em troca de prioridade na votação do veto presidencial ao projeto que altera mecanismos de dosimetria, controverso entre opositores e governistas. A operação tem gerado tensão interna no Congresso, com resistências tanto na Câmara quanto no Senado.
A discussão ganhou ainda mais contornos políticos porque a oposição entende que a comissão de investigação é essencial para esclarecer possíveis irregularidades envolvendo o banco e supostas conexões com autoridades, enquanto setores do Centrão e aliados de Alcolumbre têm sido vistos como relutantes em convocar a leitura do pedido da comissão formalmente.



