Zenóbio Toscano e família, no natal de 2019 - Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Guarabira não é apenas um município do Brejo paraibano. É, historicamente, um centro de poder. Quem governa a cidade amplia sua influência para além das fronteiras locais, alcançando municípios vizinhos e, muitas vezes, o cenário estadual. Essa lógica ajuda a explicar por que determinadas famílias se mantêm no comando político por décadas, entre elas, os Toscano.

A análise é do professor Jonas Duarte, mestre em Economia pela UFPB e doutor em História Econômica pela USP, em entrevista ao Portal Fonte83. Para ele, Guarabira funciona como uma espécie de “chave política” do Brejo. “Uma disputa local ali tem repercussão estadual. Quem ganha força em Guarabira se credencia para articular com outros grupos familiares da Paraíba”, observa.

Jonas Duarte, professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

É nesse contexto que se insere a trajetória da família Toscano, marcada pela alternância de poder com outros grupos tradicionais, como a família Paulino, sem grandes rupturas no perfil das elites locais. “Muda quem está no poder, mas, a rigor, são setores das classes dominantes que continuam mandando. Só muda o sobrenome”, resume o historiador.

O nome Toscano começa a ganhar projeção estadual com Zenóbio Toscano de Oliveira, engenheiro civil nascido em Ingá, que construiu sua base política em Guarabira. Eleito prefeito pela primeira vez em 1982, Zenóbio se consolidou como uma das maiores lideranças do Brejo, comandando o município em diferentes momentos e elegendo-se cinco vezes deputado estadual. Em duas dessas eleições, foi o parlamentar mais votado da Paraíba.

Figura carismática, conhecido pelo apelido de “Gato Preto”, Zenóbio também ocupou cargos estratégicos no Governo do Estado, como a Secretaria de Infraestrutura e a presidência da PBGás. Sua atuação extrapolou o campo eleitoral e ajudou a moldar a infraestrutura e o peso político da região. Morreu em 2020, aos 74 anos, deixando um legado que segue ativo.

Esse legado foi ampliado por Léa Toscano (União Brasil), esposa de Zenóbio e pioneira na política local. Ela entrou para a história ao se tornar a primeira mulher eleita prefeita de Guarabira, em 1996, sendo reeleita quatro anos depois. Com forte atuação social, Léa também chegou à Assembleia Legislativa, consolidando-se como uma das principais lideranças femininas do interior paraibano.

A terceira geração da família é representada por Camila Toscano (PSDB), filha do casal, deputada estadual desde 2014. Advogada, Camila construiu sua atuação parlamentar com foco em pautas sociais e na defesa dos direitos das mulheres, mantendo viva a presença do sobrenome Toscano na política estadual.

Para Jonas Duarte, o caso de Guarabira ilustra um fenômeno recorrente na Paraíba: a dificuldade de ascensão política fora dos grandes grupos familiares. “Já estamos na terceira ou quarta geração das mesmas famílias disputando o poder local. A inovação é pequena”, avalia.

A história dos Toscano, portanto, é menos sobre indivíduos isolados e mais sobre a permanência de um modelo político. Um retrato de como passado e presente se cruzam na política paraibana, e de como o poder, em cidades estratégicas como Guarabira, costuma ser uma herança passada de geração em geração.

A série Herança e Poder, do Portal Fonte83, continua no próximo fim de semana, revisitando outras famílias que ajudaram, e ainda ajudam, a escrever a história política da Paraíba.

➕Herança e Poder: A história da família Paulino e o tabuleiro político do Brejo

➕Herança e Poder: a força política da família Lucena, das origens no Sertão ao comando da Capital

➕Herança e Poder: A ascensão da família Motta – Wanderley na política paraibana

➕Herança e Poder: A dinastia Ribeiro e o fio invisível da política paraibana

➕Dinastia, tiros e 40 anos de poder: a força histórica dos Cunha Lima na política paraibana

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