Pedro Cunha Lima, presidente estadual do PSD na Paraíba - Foto: Rebeca Vital.

O presidente estadual do PSD na Paraíba e ex-deputado federal Pedro Cunha Lima rebateu, nesta terça-feira, declarações do secretário de Estado da Educação, Wilson Filho, e fez duras críticas à condução da política educacional do governo estadual.

Pedro contestou a execução do programa de construção de creches e citou dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB). “São 110 obras de creches paralisadas. Isso é um relatório do Tribunal de Contas. É um programa mal pensado, mal implementado e mal executado pelo governo do Estado”, afirmou.

O ex-deputado também reagiu a declarações que atribuiriam a ele responsabilidade por falhas no programa. “Eu não estou no exercício de mandato. Não tomo decisões públicas. Hoje sou professor e me realizo em sala de aula. Nunca estive no Executivo, que é o lugar onde ele está”, declarou, referindo-se ao secretário.

Pedro ainda criticou a gestão estadual por suposta interferência política em escolas públicas, citando o caso do município de Areial, onde, segundo ele, seis professores teriam sido retirados de uma unidade escolar. “Uma professora com 17 anos de trabalho foi tirada como se fosse moeda política. Cadê o respeito à carta que os alunos fizeram dizendo que escola não é curral eleitoral?”, questionou.

Outro ponto abordado foi a infraestrutura das escolas e a climatização das unidades. Segundo Pedro, a Paraíba aparece nas últimas posições em levantamento sobre climatização, inclusive em comparação com outros estados do Nordeste.

Ao comentar modelos adotados em outros estados, o presidente do PSD citou Pernambuco e Ceará como exemplos de políticas estruturadas para construção e manutenção de creches. “Não adianta lançar programa para propaganda. Política pública não pode ser só discurso. Em Pernambuco, o governo constrói, equipa e mantém no primeiro ano, só depois transfere ao município”, argumentou.

Questionado se reconhece avanços na educação estadual, Pedro afirmou que todo governo acerta e erra, mas avaliou que os problemas superam os avanços. “Sem dúvidas existem avanços. A convocação de professores concursados é positiva. Agora, o governo poderia fazer muito mais do que está fazendo. Existem mais erros do que acertos”, disse durante entrevista ao programa Arapuan Verdade, da rádio Arapuan FM.

Ele voltou a criticar o que chamou de “instrumentalização política” da educação e defendeu critérios técnicos para gestão escolar. “Para gestor tem que ter seleção e formação. O critério deve ser técnico. O governador não pode dispor da educação pública para fazer política”, afirmou. Pedro também citou problemas estruturais em escolas, como falta de ginásios, infiltrações, merenda inadequada e outras situações que, segundo ele, comprometem o ambiente escolar.

Por fim, mencionou dados de aprendizagem para reforçar sua crítica. “Ao final do ensino médio, apenas 6,1% dos alunos estão com aprendizagem adequada em português e matemática. De cada 100 alunos, 94 não aprenderam o que era devido. Diante dessa realidade, não dá para se vangloriar”, concluiu.

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