O governador João Azevêdo (PSB) jogou água fria na pressão por definições antecipadas sobre a sucessão estadual de 2026. Em declaração nesta quinta-feira (18), ele afirmou que não estabelecerá prazo para que aliados escolham entre apoiar o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) ou o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), que deixou recentemente a base governista para se lançar pré-candidato ao Governo da Paraíba.
A fala ocorreu durante a inauguração do Parque Tecnológico Horizontes de Inovação (PTHI), instalado na Praça Dom Ulrico, no Centro Histórico da Capital. Questionado sobre o calendário político, Azevêdo foi direto ao afastar qualquer tipo de ultimato.
“Prazo não existe. Data marcada tem Natal, Ano Novo, São João e São Pedro. Política é conversa, é construção. As coisas vão se acomodando no tempo que é natural”, afirmou o governador, em tom sereno, mas com recado claro aos aliados.
O posicionamento vem na esteira do rearranjo político provocado pela decisão de Cícero Lucena de romper com o grupo governista e entrar na disputa de 2026 como nome independente. A saída do prefeito acelerou o debate sobre a sucessão, embora Azevêdo já tenha indicado publicamente o vice-governador Lucas Ribeiro como o candidato do seu campo político.
Ao comentar o papel do PSB nesse novo tabuleiro, o governador sinalizou que o partido não pretende recuar nem adotar discurso dúbio. Segundo ele, a legenda já fez sua escolha e segue focada na gestão. “O PSB já deixou clara a sua posição. Pessoas que estavam alinhadas à prefeitura já tomaram outros caminhos, e a gente segue fazendo o trabalho que precisa ser feito”, declarou.
Nos bastidores, a fala de Azevêdo é interpretada como uma tentativa de evitar o clima de ruptura precoce dentro da base aliada, ao mesmo tempo em que reafirma a linha de continuidade do projeto político iniciado em 2019. Sem pressa, mas com direção definida, o governador deixa claro que 2026 está no radar, ainda que, oficialmente, o discurso seja de gestão e não de campanha.
A renúncia ao governo em abril de 2026 é esperada para viabilizar sua pré-candidatura ao Senado Federal, deixando a vaga para o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) disputar a reeleição. Nos bastidores, surgiram especulações sobre uma possível desistência, mas Azevedo descartou qualquer mudança de planos.
A chapa governista, que também conta com o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), para o Senado, já começa a desenhar seu cenário estratégico. A movimentação esquenta o tabuleiro político, especialmente frente aos pré-candidatos de oposição, que já se preparam para disputar o eleitorado do interior.
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