Governador João Azevêdo (PSB), durante evento PSB. - Foto: Reprodução

O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), afirmou nesta terça-feira (20) que não teme mudanças de postura por parte de aliados políticos após deixar o comando do Executivo estadual e garantiu que não pretende cobrar gratidão ou posicionamentos políticos de ninguém durante o período eleitoral.

Questionado se tem receio de passar a ser tratado de forma diferente por prefeitos, deputados e outras lideranças após deixar o cargo de governador, João foi enfático ao negar qualquer preocupação. Segundo ele, sua postura política sempre foi pautada pelo respeito e pela convicção de que ações de governo não geram “dívidas políticas”.

“Eu nunca cobrei posicionamento de quem quer que seja. Nunca disse: ‘eu fiz isso por você, então você me deve isso’. Quando você faz algo por alguém, faz porque quer fazer. Eu não acho correto cobrar postura política com base em atos de gestão”, afirmou.

Apesar de dizer que não espera cobranças, João admitiu que a gratidão é um sentimento natural e que espera que as pessoas reconheçam os gestos feitos durante sua administração. Ainda assim, reforçou que não se abalará caso haja mudança de comportamento de aliados. “Se alguém decidir mudar a forma de me tratar, é uma decisão dele, não minha. Eu não vou me preocupar com isso”, disse em entrevista ao programa Arapuan Verdade, da rádio Arapuan FM.

O governador reconheceu que, ao longo da trajetória política, já enfrentou decepções. “Algumas vezes sim, por projetos que poderiam ter sido repensados”, afirmou. Ao ser provocado sobre se a fala fazia referência ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, João evitou personalizar e disse que as mudanças de posição fazem parte da dinâmica política. “Não é só Cícero. Há várias pessoas que construíram projetos conosco e, de repente, encontram justificativas para mudar de lado”, pontuou.

João Azevêdo também comentou discursos de adversários que apostam em uma possível perda de aliados e queda nas pesquisas após ele deixar o governo. Para o governador, esse tipo de narrativa reflete mais o desejo da oposição do que a realidade. “Isso não é futurologia, é desejo da oposição. Quem decide eleição é o povo, é quem vota lá na ponta”, afirmou.

Segundo ele, o apoio da maioria dos prefeitos não se deve ao cargo em si, mas ao trabalho realizado nos municípios ao longo da gestão. “Se algum prefeito mudar de opinião depois que eu sair, ele vai ter que explicar isso ao povo, não a mim”, destacou.

Na entrevista, João Azevêdo confirmou oficialmente que deixará o governo no dia 2 de abril, quando transmitirá o cargo ao vice-governador Lucas Ribeiro (PP), para se dedicar integralmente ao projeto de disputar uma vaga no Senado Federal. Ele revelou, inclusive, que essa deve ser sua última eleição.

“Eu espero que, a partir de abril, eu possa me dedicar ao projeto ao Senado. Se eleito, será minha última eleição, até por uma questão de idade. Será um mandato dedicado à Paraíba. Essa decisão está muito resolvida na minha cabeça”, concluiu.

Ao encerrar a entrevista, João Azevêdo deixou claro que pretende atravessar a transição do governo para o projeto ao Senado com serenidade, sem disputas pessoais ou cobranças políticas, apostando no legado administrativo construído ao longo dos anos. Para o governador, o julgamento final virá das urnas, onde, segundo ele, prevalece a avaliação do povo sobre o trabalho realizado, e não a força momentânea de cargos, alianças ou conveniências eleitorais.

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