O líder do governo na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), deputado estadual Chico Mendes (PSB), comentou nesta segunda-feira (8) os desdobramentos da investigação relacionada ao caso Padre Zé, que resultou no recebimento de denúncia pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) contra 16 pessoas, entre elas os ex-secretários estaduais Tibério Limeira e Pollyanna Werton. Durante entrevista, o parlamentar defendeu cautela diante das acusações e afirmou que os investigados não podem ser julgados antes da conclusão do processo.
Segundo Chico Mendes, a situação é desconfortável para qualquer pessoa envolvida em uma investigação, mas ressaltou que a exposição pública não pode substituir o devido processo legal. “É ruim, né? O cara fica na mídia, tá tendo que explicar. Eu acho que não é bom, ninguém gostaria de passar por isso. Agora, todo mundo sabe que, se há uma coisa sagrada no governo de João, foi o valor que ele pregou de um governo republicano, com boas práticas de gestão pública e respeito ao erário público. João saiu de cabeça erguida”, afirmou ao programa Correio Debate, da rádio Correio 98 FM.
O deputado também destacou que as investigações são conduzidas pelos órgãos de controle e pela Justiça, defendendo o princípio da presunção de inocência. “Nem de João e nem de Lucas. É da própria Justiça, que faz uma investigação. E as pessoas envolvidas não podem ser julgadas antecipadamente. Isso é o mínimo que o direito oferece. Na dúvida, pro reo. Não dá para condenar pessoas só porque foram citadas. Há dezenas de políticos e pessoas denunciadas todos os dias na Paraíba e no Brasil, e centenas são absolvidos”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de a investigação provocar desgaste político para a atual gestão estadual, Chico Mendes descartou qualquer reflexo direto sobre o governo de Lucas Ribeiro (PP). Para ele, os fatos investigados remontam a um período anterior à chegada do atual governador ao comando do Estado.
“Não vejo nenhuma possibilidade. Até porque Lucas não foi governador da Paraíba, não era. Agora ele é governador. Então, atos que aconteceram seis, oito anos atrás aparecem agora em uma denúncia e investigação. Na época dos fatos, inclusive, Lucas não era sequer vice-governador”, argumentou o líder governista.
Apesar da defesa do respeito ao devido processo legal, Chico Mendes afirmou que eventuais irregularidades comprovadas devem ser punidas com rigor. “Eu, como deputado e líder do governo, tenho certeza de que qualquer colaborador do governo, em uma empresa estatal, como Cagepa, Docas ou qualquer outro órgão, se ficar constatada irregularidade, desvio de conduta, fraude ou até mesmo roubo de qualquer ordem, tem que haver tolerância zero”, enfatizou.
As declarações ocorrem após o Tribunal de Justiça da Paraíba receber denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) no âmbito das investigações sobre supostos desvios de recursos públicos envolvendo o Hospital Padre Zé, o Programa Prato Cheio e empresas fornecedoras. Entre os denunciados estão o Padre Egídio de Carvalho, os ex-secretários Tibério Limeira e Pollyanna Werton, além de ex-dirigentes do Instituto São José e empresários. O Ministério Público sustenta que o grupo teria operado um esquema de pagamento de propina por meio de devoluções feitas por empresas contratadas, acusação que passará agora à fase de instrução processual, sem que haja, neste momento, julgamento sobre a culpa ou inocência dos investigados.




