Hugo Motta, presidente da Câmara Federal do deputados e Jeronimo Arlindo da Silva Júnior.

A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades no INSS deve analisar nos próximos dias um requerimento de convocação do assessor técnico de projetos da Secretaria de Agropecuária e Pesca da Paraíba, Jerônimo Arlindo da Silva, conhecido como Júnior do Peixe. Ele é ex assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

O pedido de convocação foi apresentado pelo senador Eduardo Girão, que confirmou a iniciativa nesta terça feira (03). O parlamentar também foi autor do requerimento que resultou na quebra dos sigilos bancário e fiscal de Júnior do Peixe no fim do ano passado.

Segundo levantamento publicado pelo Portal Metrópoles, Arlindo teria movimentado R$ 3,1 milhões em suas contas bancárias em apenas seis meses, período em que trabalhou diretamente com Hugo Motta, entre outubro de 2020 e março de 2021.

De acordo com os dados, nesse intervalo ele recebeu R$ 1.590.678,81 de terceiros e repassou R$ 1.573.766,84 para contas de outros titulares, valores considerados expressivos para o curto período analisado.

As investigações também ganharam repercussão nacional após reportagem do Jornal Nacional revelar detalhes do caso com exclusividade no ano passado.

Conforme a apuração, a Conafer foi a entidade que mais ampliou o volume de descontos em benefícios do INSS entre 2019 e 2024. Uma testemunha chave afirmou que documentos teriam sido adulterados para permitir descontos indevidos em aposentadorias.

Em números absolutos, os descontos saltaram de R$ 400 mil por ano em 2019 para R$ 57 milhões em 2020 e chegaram a R$ 202 milhões em 2023, segundo dados da Controladoria-Geral da União.

Em nota divulgada nas redes sociais no ano passado, Júnior do Peixe negou qualquer envolvimento em irregularidades. Ele afirmou que nunca teve interferência ou atuação junto ao INSS, limitando se a estudos voltados à implementação de ações institucionais.

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