A ampliação do espaço para atrações de outros gêneros musicais nas festas juninas voltou ao centro do debate na Paraíba. Durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5 FM, o deputado estadual Cicinho Lima (Republicanos) fez duras críticas ao que considera um afastamento das raízes culturais do São João, especialmente em Campina Grande, cidade que abriga o tradicional “Maior São João do Mundo”.
Ao comentar a presença crescente de artistas de estilos como sertanejo, axé e outros segmentos musicais na programação dos festejos, o parlamentar afirmou que a identidade da festa está sendo descaracterizada. “Isso, eu acho um absurdo, eu acho um absurdo o que estão fazendo com o nosso São João, com o nosso forró. O forró lutou tanto para que essa festa chamada São João tivesse esse potencial que tem hoje, para de alguns anos pra cá, de poucos anos pra cá, porque sempre era o forró”, declarou.
Na sequência, Cicinho resgatou nomes que ajudaram a construir a história dos festejos juninos na Paraíba e no Nordeste. “Sempre era Genival Lacerda no Parque do Povo, sempre era Pinto do Acordeon fazendo a abertura em vários São João, sempre era Dominguinhos, Alcymar Monteiro, Flávio José, Biliu de Campina”, afirmou, destacando artistas que marcaram gerações e contribuíram para consolidar o forró como símbolo cultural das celebrações juninas.
O deputado também lamentou a perda de espaço para repertórios ligados à tradição nordestina. “Com repertório bacana, massa, arretado, forrozado, com música de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga. Então isso está se acabando”, disse. Para ele, a essência da festa está diretamente ligada à valorização dos ritmos que ajudaram a construir a identidade cultural da região.
Apesar das críticas, Cicinho ressaltou que não tem resistência a outros estilos musicais fora do contexto junino. “Tão querendo fazer daqui um festival de peão. Eu acho bacana também, eu curto sertanejo, eu quando estou tomando meu uisquinho, minha cervejinha em casa, eu taco o som aí, escuto Zezé Di Camargo, sou fã de Zezé, amo Roberto Carlos”, comentou.
Ao concluir o raciocínio, o parlamentar reforçou que sua crítica está relacionada ao espaço ocupado por essas atrações durante os festejos de São João. “Mas me dê licença, Roberto Carlos no São João? Me dê licença, né? Substitui o forró”, declarou. O debate ocorre em meio à realização de mais uma edição do São João de Campina Grande, festa criada em 1983 e reconhecida nacionalmente pela dimensão do público. Em 2024, o evento recebeu mais de 2,9 milhões de visitantes no Parque do Povo, enquanto a expectativa para 2025 é ultrapassar a marca de 3 milhões de participantes.



