Em 2016, quando Leo Bezerra deu seus primeiros passos como vereador na Câmara de João Pessoa, eu fiz uma profecia. Disse no Correio Debate que aquele jovem, filho de Hervázio Bezerra, estava destinado a se tornar um dos grandes nomes da política da Paraíba.

Muita gente achou exagero. Outros disseram que eu estava ficando doido.

E havia um detalhe que tornava aquilo ainda mais curioso: na mesma época em que eu fazia aquela previsão sobre o filho, meus comentários sobre o pai eram dos mais duros possíveis. A política tem dessas ironias. Mas quem observa política com atenção sabe reconhecer quando nasce um talento.

O tempo passou — e nem precisou ser muito. Em apenas quatro anos, Léo tomou uma decisão que separa os políticos comuns daqueles que têm coragem de apostar no próprio destino. Abriu mão de uma reeleição praticamente certa para vereador e aceitou o desafio de ser vice na chapa de Cícero Lucena em 2020.

Naquele momento, era uma aposta cercada de dúvidas.

Mas Leo não entrou naquela campanha apenas para completar a chapa. Ele trouxe algo que campanhas muitas vezes têm dificuldade de conquistar: a juventude, a energia, o entusiasmo de uma nova geração que voltou a olhar para a política com interesse.

Cícero venceu. E logo nos primeiros meses de gestão ficou claro que João Pessoa não tinha apenas um vice de protocolo. Tinha um vice-prefeito presente, atuante, leal — sempre com o respaldo e a confiança do prefeito.

Quatro anos depois, veio a reeleição.

E sem exagero nenhum, João Pessoa passou a ter algo raro na política brasileira: dois prefeitos caminhando lado a lado. Um líder experiente e um vice que se consolidava dia após dia como peça central da gestão.

Essa relação de confiança foi crescendo até chegar ao ponto máximo: dar a Cícero Lucena a tranquilidade de tomar uma decisão política importante e deixar o cargo em abril para que Leo assuma a titularidade da capital.

Talvez nem nos melhores sonhos Hervázio Bezerra tenha imaginado ver o filho chegar a esse momento tão cedo.

Manso no trato, firme nas decisões, homem do diálogo e sem colecionar inimigos, Léo começa agora um novo capítulo da sua história.

Abril não será um ponto de chegada.

Será apenas o início.

E eu volto a repetir aquilo que disse em 2016.

Eu acertei uma vez.

E vou acertar de novo.

Leo Bezerra não nasceu para parar na Prefeitura de João Pessoa.

Anotem.

Porque o futuro — às vezes — chega mais rápido do que muita gente imagina.

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