Cadê o prefeito?

Campina Grande vive os dias mais importantes do seu calendário. O Parque do Povo comemora 40 anos, a cidade recebe milhares de turistas, movimenta milhões na economia e se transforma, mais uma vez, na capital brasileira do forró. Mas, em meio ao brilho da festa, uma ausência tem chamado mais atenção do que qualquer atração do palco principal: a do prefeito Bruno Cunha Lima.

Enquanto a cidade lota hotéis, bares e restaurantes, enquanto autoridades de todo o Brasil desembarcam na Rainha da Borborema, o prefeito está na Argentina, em viagem de descanso com a família. Nada contra descansar. O problema é a escolha do momento e, principalmente, o silêncio da Prefeitura sobre a viagem.

Não estamos falando de uma semana comum. Trata-se justamente do período mais simbólico para Campina Grande, quando os holofotes do país se voltam para a cidade. É o equivalente a um técnico abandonar o banco de reservas no meio da final do campeonato para tirar férias.

A ausência ficou tão evidente que a gestão precisou confirmar oficialmente que o vice-prefeito, Alcyndor Vilarim, estava no comando do Executivo. Coube a ele representar a cidade, receber autoridades e cumprir a agenda institucional que, naturalmente, deveria ter a presença do prefeito.

E não faltaram visitantes de peso. Entre eles, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Nesta segunda-feira, a expectativa é pela chegada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Enquanto lideranças nacionais circulam pelo Parque do Povo, fazem contatos políticos e participam dos eventos, o principal anfitrião da festa está fora do país.

O mais curioso não é apenas a viagem. É a falta de transparência. Se tudo estava dentro da normalidade, por que a Prefeitura não comunicou oficialmente a ausência do prefeito? Por que a informação só veio à tona após questionamentos e cobranças?

Bruno tem todo o direito de descansar. O que muitos campinenses questionam é se havia momento mais inadequado para isso. Afinal, quando a cidade vive sua vitrine mais importante do ano, quando comemora a história do Maior São João do Mundo e homenageia Ronaldo Cunha Lima, o mínimo que se espera é que o prefeito esteja presente.

Porque uma pergunta continua ecoando nos corredores do Parque do Povo, nas barracas, nos camarotes e nos bastidores da política: se o prefeito não está em Campina justamente na semana mais importante para Campina, então onde deveria estar?

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