Há políticos que mudam de lado por circunstância. Há outros que mudam por convicção. E há Diego Tavares — que parece ter transformado a mudança de lado em método de sobrevivência.
A história começa ainda em 2006. Filho de secretário forte no governo de Cássio Cunha Lima, orbitando o poder desde cedo. Perde a eleição. O pai deixa o cargo. E, como num passe de mágica, rompe com o grupo que o abrigava. Primeira travessia.
Vai para o governo Ricardo Coutinho. Veste a camisa com entusiasmo. Mas bastou José Maranhão assumir, após a cassação de Cássio, para que Diego cruzasse novamente a ponte — abandonando Ricardo e se apresentando no novo centro de poder. Segunda ruptura.
Quando Maranhão perde para Ricardo, tenta reatar com o “Mago”. Não encontra acolhida. E então surge no governo Luciano Cartaxo. Ali cresce. Vira peça-chave. Homem de confiança. Operador central da gestão. Constrói imagem de gestor, mas sustenta reputação de articulador hábil — especialmente quando o assunto é manter-se perto da cadeira principal.
Cotado para suceder Cartaxo, é preterido. Resultado? Nova ruptura. A fidelidade, mais uma vez, tinha prazo de validade: até o limite do próprio projeto.
Em seguida, aproxima-se de Cícero Lucena. Assume pasta importante. Amplia espaço. Consolida protagonismo. E agora, novamente, o movimento de afastamento — fechando o ciclo com mais uma traição política a quem lhe confiou poder.
O padrão é cristalino: Diego não constrói trajetórias, ocupa momentos. Não aprofunda alianças, administra conveniências. Sua lealdade é elástica — estica enquanto há perspectiva de poder; rompe quando surge uma nova janela mais promissora.
A questão não é mudar de posição. Política é dinâmica. A questão é que, no caso de Diego Tavares, a mudança parece sempre coincidir com a própria conveniência. Nunca com projeto coletivo. Nunca com coerência pública. Sempre com cálculo.
E cálculo reiterado vira marca.
Hoje, quem o abraça como aliado deveria olhar para trás antes de confiar o futuro. Porque, à luz da própria história, Diego Tavares não pertence a grupo algum.
Pertence apenas ao próximo movimento.



