A Câmara Municipal de Cabedelo vive um curioso fenômeno político: muda o presidente, mas certos hábitos fazem questão de não pedir aposentadoria.

Durante os anos da gestão de André Coutinho — e, depois, na fase considerada exitosa sob o comando de Edvaldo Neto — o Legislativo cabedelense havia alcançado um novo patamar. Organização, previsibilidade administrativa e, sobretudo, processos andando. Nada de glamour, apenas funcionamento.

Mas bastou Edvaldo Neto deixar a cadeira e o vereador José Francisco Pereira assumir o comando da Casa para que o relógio político resolvesse andar para trás.

Licitações deixadas com 95% do caminho percorrido simplesmente foram canceladas. Não por vício, não por ilegalidade comprovada, não por recomendação técnica conhecida. Canceladas. Ponto final.

Nos corredores da Câmara, onde as paredes sempre escutam mais do que falam, a pergunta ecoa: a quem interessa travar o que já estava pronto?

Há quem diga que José Francisco chegou à presidência com uma pompa jamais vista. Um presidente de gala. Tapete imaginário, peito estufado e pose de quem acabou de descobrir o poder.

Mas justiça seja feita: há algo que ninguém pode negar ao novo comandante da Casa — a religiosidade.

Entre um despacho cancelado e outro, lá está ele, firme, com um terço na mão.

Resta saber se é para pedir iluminação divina…

ou perdão antecipado.

Porque governar rezando é bonito.

Difícil mesmo é administrar trabalhando.

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