Durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da Rádio 100.5 FM, nesta sexta-feira (8), o senador Veneziano Vital do Rêgo comentou a crise política envolvendo a aliança entre PT, PP e Republicanos na Paraíba e afirmou que o Governo Lula precisa “saber com quem está convivendo”.
Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pré-candidato à reeleição ao Senado, Veneziano afirmou que partidos e lideranças vêm ocupando espaços no governo federal, indicando cargos e se beneficiando politicamente da gestão petista, mas sem defender publicamente o governo em seus estados.
Segundo o senador, muitos aliados “se alojam” no governo, utilizam a estrutura política e administrativa da gestão federal, mas evitam associar conquistas e investimentos ao presidente Lula. Como exemplo, Veneziano citou a destinação de R$ 11 milhões para a saúde de João Pessoa, destinados à Média e Alta Complexidade (MAC), após articulação junto ao Ministério da Saúde.
Na entrevista, o parlamentar também criticou a postura de aliados durante a votação que rejeitou a indicação do ministro Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Veneziano afirmou que o governo sofreu mais um “dissabor” ao perceber que parte da base não teve fidelidade política no momento da votação.
O senador revelou ainda conversa recente com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que, segundo ele, teria defendido que o governo passe a fazer uma avaliação mais rigorosa sobre quais aliados realmente apoiam o projeto político do presidente Lula.
“Está na hora do governo fazer política também. Saber com quem está convivendo, saber em quem confiar”, relatou Veneziano ao comentar o diálogo com Edinho.
Sem citar diretamente lideranças da Paraíba, Veneziano afirmou que parte da base lulista não compreende algumas alianças políticas que vêm sendo construídas pelo PT em diversos estados. Ele disse que o sentimento de insatisfação já é perceptível entre apoiadores do presidente.
A declaração acontece em meio aos ruídos dentro da pré-aliança formada na Paraíba em torno do governador Lucas Ribeiro, do Progressistas. Um dos pontos de resistência dentro do PT envolve a possível candidatura ao Senado do ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
Outro foco de desgaste envolve a senadora Daniella Ribeiro e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, familiares do governador Lucas Ribeiro. Ambos passaram a enfrentar críticas de setores petistas após votações no Congresso consideradas contrárias aos interesses do governo federal.
Mesmo diante das divergências, Veneziano afirmou que respeita as decisões partidárias, mas alertou que o governo federal pode enfrentar dificuldades eleitorais futuras caso não reavalie alianças políticas em vários estados brasileiros.




