Ex-deputado federal Julian Lemos, durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa. - Foto: Dayana Lucas / Fonte83

O ex-deputado federal Julian Lemos, antigo aliado de Jair Bolsonaro e um dos nomes mais próximos do ex-presidente durante sua ascensão política, concedeu uma entrevista de forte impacto ao programa Ô Paraíba Boa, desta terça-feira (25), aos apresentadores Fabiano Gomes, Jaceline Marques, Clauber Beserra e Dayana Lucas. Ele revelou detalhes íntimos, comportamentais e políticos da convivência com o ex-chefe do Executivo. Segundo Julian, o país conhece o mito, mas ele testemunhou o homem por trás da figura pública e viu o mito engolir o próprio homem.

Violência, risadas, bipolaridade e sociopatia

Ao relembrar sua trajetória ao lado de Bolsonaro, Julian afirmou que possui algo que nenhum analista ou jornalista tem vivência. Ele relata que esteve com Bolsonaro desde o período em que o então deputado federal sequer aparecia nas pesquisas presidenciais, acompanhou sua entrada no Planalto e presenciou a transformação que, segundo ele, colapsou emocional e moralmente o ex-presidente.

O ex-parlamentar destacou episódios que, em sua análise, demonstram traços de bipolaridade e sociopatia, citando ausência de remorso e comportamentos que o deixaram desconfortável, como risadas diante de cenas de violência.

Família Bolsonaro

Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi a relação de Bolsonaro com os próprios filhos. Julian afirmou que a ruína do ex-presidente tem origem justamente na influência da família, classificando os filhos como subdivisões da personalidade de Bolsonaro. Relatou episódios de intrigas, brigas, isolamento entre familiares e um ambiente que descreveu como um dos maiores caos que já presenciou.

Segundo ele, Carlos Bolsonaro representa a parte neurótica, Flávio a parte desonesta e Eduardo uma ruptura da razão, citando inclusive mensagens recentes em que um dos filhos teria dirigido palavras grosseiras ao pai.

Plano de poder perpetuoo 

Julian ainda revelou que Bolsonaro tinha planos de poder semelhantes ao modelo de Hugo Chávez na Venezuela, cogitando perpetuação via controle das Forças Armadas. Recordou conversas reservadas em que Bolsonaro falava em ter a “mão no paiol”, termo usado para indicar domínio militar. Para ele, o ex-presidente absorveu uma energia política que não tinha estrutura emocional para sustentar, transformando-se em um arquétipo moral, religioso e familiar que não condizia com sua realidade.

Ascenção e queda

Ao longo da entrevista, Julian detalhou episódios de convivência íntima, como visitas à sua casa, viagens e diálogos privados. Afirmou ter registros desde o primeiro contato até a ruptura, provocada, segundo ele, pelos filhos de Bolsonaro. Narrando momentos de comportamento instável, mudanças bruscas de humor e declarações enigmáticas, Julian sustentou que já percebia há anos que o colapso atual de Bolsonaro seria inevitável.

Outro ponto abordado foi a análise que o ex-aliado faz do bolsonarismo. Para ele, o movimento nasceu de um sentimento coletivo iniciado em 2012, fruto dos erros da classe política e do PT, mas Bolsonaro não tinha estrutura moral para ser o porta-estandarte dessas ideias, afastando-se do próprio movimento após chegar ao poder.

Julian ressaltou que o bolsonarismo se transformou em algo distinto do que o elegeu, adquirindo características sectárias e emocionalmente desequilibradas.

Bastidores da entrevista

A entrevista terminou de forma dura, quando Julian afirmou que poderia, se quisesse, falar no campo pessoal e expor ainda mais o ex-presidente e seus filhos, classificando-os como desonestos e agressivos. Embora diga que não deseja fazer disso um ataque pessoal, reforçou que viveu os bastidores como poucos e que o país ainda desconhece a verdadeira dimensão do colapso interno vivido por Bolsonaro.

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