O ex-prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo Castelliano (MDB), pré-candidato a deputado estadual, afirmou nesta sexta-feira (3) que pretende reconstruir sua trajetória política após o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, suspender, de forma provisória, os efeitos da condenação que o tornou inelegível por oito anos. A medida valerá até que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue o recurso extraordinário apresentado pela defesa. Em entrevista ao Portal Fonte83, o emedebista disse ter recebido a decisão com tranquilidade e classificou o momento como um recomeço.
“Recebi com muita serenidade, sempre acreditando no bom direito, sabendo que a verdade sempre vai prevalecer. Essa suspensão para que eu possa concorrer às eleições chega num momento um pouco tarde, porque já sofremos muitas baixas de lideranças e de prefeitos, mas é como Deus quer. Hoje é um dia de agradecer muito a Deus e às pessoas que estão torcendo por mim. Na semana que vem vamos tomar as decisões políticas cabíveis e necessárias para o nosso futuro político”, declarou.
Ao comentar os impactos do período em que permaneceu inelegível, Vitor Hugo reconheceu que perdeu parte da base política, mas afirmou que pretende reorganizar seu grupo antes de definir os próximos passos da pré-campanha. Segundo ele, a prioridade será ouvir aliados e a população de Cabedelo antes de confirmar sua estratégia para a disputa de 2026.
“Praticamente todas as lideranças que eu tinha eu perdi, porque ninguém acreditava mais que eu poderia ser candidato. Mas eu sempre tive muita fé. Vou conversar com toda a minha coordenação, com o agrupamento político que ainda está do meu lado e, principalmente, vou escutar a cidade de Cabedelo. Nós temos cerca de 54 mil votos, sempre obtive mais de 20 mil votos nas duas eleições que disputei, e Cabedelo será decisiva na minha decisão. Se a cidade entender a importância de ter uma vaga na Assembleia, serão mais de R$ 50 milhões em quatro anos de emendas impositivas, recursos que podem mudar a realidade do município e ajudar a resolver problemas históricos”, explicou.
O ex-prefeito também afirmou acreditar que ainda possui apoio suficiente para viabilizar uma candidatura competitiva e disse que pretende recuperar sua imagem pública após os desdobramentos do processo judicial. “Se Cabedelo entender essa necessidade e me apoiar, tenho certeza de que chegarei praticamente 100% eleito na cidade. Tenho muitos amigos e essa história está só começando novamente. Vou resgatar a minha honra, vou resgatar toda a hombridade que construí durante oito anos e que foi desgastada nesses últimos meses. Tenho certeza de que Deus tem um propósito na minha vida, sabe quem eu sou, e essa nova geração política vem para mudar o conceito da política na Paraíba e no Brasil”, ressaltou.
Na decisão, o ministro Nunes Marques entendeu que há elementos suficientes para conceder a tutela de urgência, destacando que os argumentos da defesa sobre possível violação ao contraditório e à ampla defesa, especialmente em razão da juntada de um grande volume de provas após o encerramento da instrução processual, apresentam relevância constitucional e devem ser analisados pelo STF. O magistrado também considerou que a manutenção da inelegibilidade poderia causar dano irreparável ao comprometer a participação de Vitor Hugo nas articulações partidárias, na pré-campanha, na arrecadação de recursos e em outras etapas preparatórias das eleições de 4 de outubro. Apesar da suspensão, o mérito do recurso ainda será julgado pelo Supremo, e a decisão do presidente do TSE tem caráter provisório.




