O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, deu prazo de 24 horas para que a Meta apresente um relatório técnico detalhado sobre o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A determinação atende a um pedido da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e busca esclarecer se houve atuação coordenada entre contas e plataformas, amplificação artificial de conteúdos e cumprimento das medidas previstas no plano de conformidade firmado pela empresa com a Justiça Eleitoral.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos pela Meta estão possíveis padrões de sincronização de atividades, replicação de mensagens, alcance e compartilhamento de publicações, eventual uso de publicidade paga e impulsionamento, além da circulação de conteúdos encaminhados, excluídos ou modificados. O ministro também determinou que a empresa apresente uma análise fundamentada dos pedidos feitos no processo e explique os critérios técnicos utilizados para distinguir uma mobilização legítima de um comportamento coordenado potencialmente irregular. Outra medida envolve o Google, que deverá informar se identificou amplificação coordenada de termos e hashtags em buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento entre os dias 18 e 20 de outubro.

A nova decisão ocorre em meio a uma sequência de determinações judiciais sobre o funcionamento do canal. Em 11 de outubro, Nunes Marques ordenou a suspensão da página, mas o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem e determinou sua reativação. Depois, o presidente do TSE estabeleceu exigências relacionadas ao registro formal do canal na Justiça Eleitoral e, em 14 de outubro, determinou o restabelecimento integral da ferramenta. Segundo o material divulgado sobre o caso, uma análise técnica do tribunal não identificou conteúdos falsos entre as publicações examinadas que estavam no ar.

No mesmo dia da nova determinação, o canal anunciou a entrada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como administrador. Janones informou aos participantes que o presidente poderia enviar orientações diretamente pelo grupo e publicou uma mensagem com a palavra “cheguei”, acompanhada de um emoji de lula, além de um vídeo em que Lula convidou os integrantes para uma transmissão ao vivo prevista para as 19h desta quinta-feira (22). A campanha presidencial, porém, ainda não havia confirmado se a mensagem atribuída a Lula foi publicada diretamente pelo próprio presidente. Na decisão, Nunes Marques afirmou que a análise busca confrontar as providências formalmente informadas à Justiça Eleitoral com o funcionamento do mecanismo questionado.

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